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Micróbios ancestrais despertam após 40 mil anos congelados

Estudo mostra que micróbios ancestrais revivem no permafrost e começam a liberar gases de efeito estufa, incluindo metano.

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27 de novembro de 2025 às 16:59   - Atualizado às 17:16

Micróbios ancestrais

Micróbios ancestrais Foto: Reprodução/IA

Pesquisadores do California Institute of Technology (Caltech) registraram um fenômeno que reacende debates urgentes sobre o aquecimento global: micróbios ancestrais, preservados por cerca de 40 mil anos no permafrost do Alasca, voltaram à atividade após serem descongelados em laboratório. Mais do que reviver, eles reorganizaram suas comunidades e iniciaram um rápido consumo de carbono orgânico, liberando dióxido de carbono e metano, dois dos gases mais preocupantes para o clima global.

A pesquisa, conduzida em amostras coletadas no túnel de Fairbanks, um dos maiores arquivos naturais de clima antigo do planeta, revela como o solo congelado do Ártico pode estar mais vulnerável do que se imaginava. O permafrost, antes tratado como depósito estável de carbono, pode se transformar em uma fonte ativa de emissões naturais conforme as temperaturas aumentam.

De adormecidos a metabolicamente ativos

Segundo o geobiólogo Tristan Caro, líder do estudo, muitas dessas formas de vida “estavam em pausa há dezenas de milhares de anos, aguardando condições propícias para retomar o metabolismo”. Quando expostos a temperaturas mais altas, os micróbios ancestrais passaram por um estágio inicial quase inativo, mas entraram em plena atividade depois de aproximadamente seis meses.

Esse “atraso metabólico” indica que ondas curtas de calor não bastam para despertar a comunidade microbiana. No entanto, com os verões cada vez mais longos no Ártico,  tendência confirmada por relatórios recentes da NOAA, o degelo prolongado oferece exatamente o tempo que esses organismos precisam para se reorganizar e produzir gases.

Por que isso preocupa cientistas

As regiões de permafrost profundo armazenam aproximadamente o dobro da quantidade de carbono presente hoje na atmosfera. Quando micróbios ancestrais voltam à atividade, esse carbono, antes preso no gelo, é convertido em CO e metano. O metano, especificamente, possui um potencial de aquecimento mais de 25 vezes superior ao do dióxido de carbono em uma escala de 100 anos.

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Esse processo pode desencadear um ciclo perigoso de retroalimentação climática:

  • mais aquecimento → mais degelo,
  • mais degelo → mais emissões naturais,
  • mais emissões → ainda mais aquecimento.

Especialistas alertam que, se esse ciclo se intensificar, reduzir apenas as emissões humanas pode não ser suficiente para desacelerar o aquecimento global.

Infraestrutura e risco geológico

Além do impacto climático, o reaquecimento profundo do solo preocupa engenheiros e gestores públicos que lidam com estradas, tubulações e edifícios construídos sobre terreno antes permanentemente congelado. Com o permafrost instável, mapas de risco e projetos estruturais precisam ser atualizados com urgência.

Conclusão

A reativação de micróbios ancestrais não é apenas uma curiosidade científica é um indicativo de que o Ártico está mudando de maneira acelerada. Se longos períodos de descongelamento continuarem, o permafrost pode deixar de ser uma “cápsula do tempo” para se tornar uma poderosa fonte de gases de efeito estufa, com consequências globais.

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