Geração Z adota agamia. Foto: Freepik
A Geração Z, formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010, tem protagonizado mudanças significativas na forma como a sociedade compreende e vivencia os relacionamentos afetivos. Com discursos mais livres, esses jovens desafiam normas tradicionais e adotam estilos de vida alternativos, como a agamia, uma escolha consciente por viver sem vínculos amorosos ou interesse em formar famílias convencionais.
A recusa ao casamento e à maternidade ou paternidade deixou de ser um tabu. Em vez disso, tem se tornado uma realidade comum em muitos grupos sociais. Segundo dados do IBGE de 2023, o Brasil contava com 81 milhões de pessoas solteiras, um número expressivo quando comparado aos 63 milhões de casados registrados no mesmo período. Os números refletem uma transformação cultural e o crescimento de movimentos que priorizam o bem-estar individual, a liberdade e, muitas vezes, o compromisso com causas maiores, como a sustentabilidade.
Diferente do celibato religioso ou da solteirice ocasional, a agamia se apresenta como uma escolha definitiva e consciente de não estabelecer relacionamentos afetivos ou sexuais. A palavra tem origem no grego, “a”, que significa “sem”, e “gamos”, que remete a casamento ou união. Pessoas que adotam esse estilo de vida não se envolvem nem em relações monogâmicas, nem poligâmicas. Muitas vezes, também não desejam ter filhos ou formar núcleos familiares.
De acordo com a antropóloga Heloisa Buarque de Almeida, professora da Universidade de São Paulo (USP), a principal diferença entre estar solteiro e ser agâmico é a intencionalidade. Enquanto o solteiro pode estar aberto a novas relações, mesmo que momentaneamente não esteja em uma, o agâmico não tem esse desejo, e o assume como filosofia de vida.
A Geração Z tem mostrado que a afetividade e a ideia de família podem se construir de maneira plural. Casais que vivem em casas separadas, famílias com dois pais ou duas mães, relações livres de amarras legais ou modelos tradicionais têm ganhado espaço. Para esses jovens, o que define uma relação não é a instituição formal do casamento, mas a conexão emocional, o respeito mútuo e a autonomia.
As redes sociais também contribuem para essa transformação. O acesso a diferentes visões de mundo, estilos de vida e exemplos fora dos padrões convencionais fortalece a ideia de que o amor e a felicidade não precisam seguir roteiros preestabelecidos.
Além da rejeição a modelos tradicionais de relacionamento, a agamia se associa a preocupações ambientais. Muitos jovens que optam por não ter filhos afirmam que a decisão está diretamente ligada à crise climática, à escassez de recursos naturais e à busca por um estilo de vida mais sustentável. Segundo Heloisa Buarque, a reflexão sobre o futuro do planeta impacta diretamente a decisão de não gerar novas vidas em um cenário de incertezas ambientais.
O fenômeno da agamia não se limita ao Brasil. Países como Japão, Estados Unidos e outras nações da América Latina também registram crescimento nesse tipo de comportamento. Em muitos casos, essas escolhas têm ligação com contextos sociais e econômicos que impõem desafios à vida em casal, como o alto custo de vida, a precarização do trabalho e a dificuldade de manter relacionamentos duradouros.
A antropóloga destaca que o amor romântico idealizado por filmes, novelas e livros raramente se confirma na prática. A frustração com expectativas não atendidas contribui para que parte da juventude prefira investir em si mesma, em projetos pessoais e no autocuidado, ao invés de se envolver em relações que podem gerar dependência emocional ou frustrações.
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