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Fome leva à morte de 62 mil pinguins-africanos e espécie corre risco de extinção

Um estudo publicado na revista científica Ostrich revelou que a combinação de mudanças ambientais e práticas humanas de pesca provocou uma redução de cerca de 95% na população da espécie.

Isabella Lopes

31 de dezembro de 2025 às 14:30

Pinguim-Africano.

Pinguim-Africano. Foto: Freepik.

A população do pinguim-africano enfrenta uma das fases mais críticas de sua história recente. Desde 2024, a espécie passou a integrar a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na categoria “criticamente em perigo”, o último nível antes da extinção total na natureza.

Um estudo publicado na revista científica Ostrich revelou que a combinação de mudanças ambientais e práticas humanas de pesca provocou uma redução de cerca de 95% na população de pinguins-africanos em apenas oito anos. Entre 2004 e 2011, pesquisadores estimaram a morte por inanição de aproximadamente 62 mil adultos nas ilhas de Dassen e Robben, na costa da África do Sul.

A pesquisa aponta que a escassez de alimento atingiu diretamente a sobrevivência da espécie, que depende principalmente de sardinhas para se alimentar. Nesse período, a biomassa desse peixe caiu para menos de 25% do maior volume já registrado, coincidindo com níveis elevados de exploração pesqueira comercial.

Impacto além da sobrevivência

Mesmo sem representar a extinção completa, os cientistas descrevem o cenário como uma “extinção funcional”. Isso ocorre quando a espécie perde sua capacidade de cumprir funções ecológicas essenciais.

No caso do pinguim-africano, a redução drástica da população compromete a caça coletiva de peixes e a produção de guano, que fertiliza os ecossistemas marinhos e terrestres das ilhas. Sem grupos numerosos, os pinguins deixam de exercer seu papel como predadores importantes e perdem eficiência reprodutiva.

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A muda que aumenta o risco

Outro fator crítico destacado pelo estudo envolve a chamada “muda catastrófica”, um processo anual no qual o pinguim troca todas as penas de uma só vez. Durante cerca de 21 dias, a ave permanece em terra, sem acesso ao mar e sem se alimentar. Nesse período, a sobrevivência depende totalmente das reservas de gordura acumuladas antes da muda.

Com menos sardinhas disponíveis no ambiente, muitos pinguins entram nessa fase sem energia suficiente, o que aumenta drasticamente o risco de morte por fome.

Medidas de conservação em andamento

Pesquisadores defendem mudanças na gestão pesqueira, como a redução da captura de sardinhas quando os estoques atingirem níveis críticos e a proteção de peixes jovens. Entre as ações já adotadas estão a instalação de ninhos artificiais, o controle de predadores e programas de resgate e reabilitação.

Desde 2025, zonas de exclusão de pesca passaram a funcionar ao redor de seis colônias de pinguins, com validade prevista até pelo menos 2033. Especialistas consideram essas áreas uma das principais esperanças para frear o declínio populacional, mas alertam que a recuperação depende diretamente da disponibilidade de alimento no oceano.

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