Fisiculturistas em academia. Foto: Reprodução
Um estudo publicado na última terça-feira, 20 de maio, no European Heart Journal revelou que o fisiculturismo de alto rendimento pode trazer sérios riscos à saúde do coração. A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade de Pádua, na Itália, analisou mais de 20 mil fisiculturistas e registrou 73 mortes súbitas, das quais 46 foram causadas por insuficiência cardíaca.
Segundo o levantamento, atletas de elite enfrentam um risco 14 vezes maior de morte súbita em comparação com fisiculturistas amadores. O índice foi ainda mais alto entre competidores da categoria aberta do Mr. Olympia, onde sete dos 100 atletas analisados morreram de forma repentina, com idade média de 36 anos.
Os pesquisadores relacionaram as mortes ao uso de esteroides anabolizantes, treinos extremos e dietas severas. As autópsias revelaram corações aumentados e espessamento do ventrículo esquerdo, sinais de sobrecarga cardíaca associada ao esforço excessivo.
“O estudo mostra que, com base nos dados obtidos, as associações médicas não podem mais ignorar esse problema de saúde e devem colaborar com as respectivas federações e formuladores de políticas para promover mais segurança aos fisiculturistas”, alerta a equipe responsável.
Os autores recomendaram a adoção de medidas urgentes, como a presença de desfibriladores automáticos em eventos e a criação de protocolos médicos específicos para atletas do esporte.
O Brasil também enfrenta episódios semelhantes. Em 2023, Rodolfo Duarte Ribeiro dos Santos, de 33 anos, morreu após uma parada cardíaca causada por hemorragia. Em 2024, Matheus Pavlak, de 19 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória em Blumenau (SC). No mesmo ano, Antônio Souza, de 26 anos, morreu após disputar um campeonato de fisiculturismo em Navegantes (SC).
O atleta de fisiculturismo Wanderson Da Silva Moreira, de 30 anos, morreu na tarde do dia 10 de maio, em Campo Grande (MS), enquanto participava de uma competição. Natural de Rondonópolis (MT), ele estava na cidade para disputar o evento Pantanal Contest, realizado em um clube localizado no bairro Jardim Autonomista.
Segundo informações do boletim de ocorrência, Wanderson sofreu uma parada cardiorrespiratória durante a competição. Um amigo que o acompanhava relatou à polícia que os dois haviam viajado juntos para participar do evento. Ele também informou que o atleta tinha histórico de pressão alta.
Assim que Wanderson passou mal, socorristas do evento iniciaram o atendimento. Em seguida, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local. De acordo com um dos socorristas que participou da tentativa de reanimação — e preferiu não se identificar —, a equipe realizou cerca de 1h20 de massagem cardíaca, aplicou seis choques, administrou medicamentos e também fez a intubação. Apesar de todos os esforços, Wanderson não resistiu.
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