Sítio historico de Olinda Foto: Min.Turismo
Olinda, no litoral de Pernambuco, é uma das cidades históricas mais importantes do Brasil e reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Conhecida pelas ladeiras, igrejas seculares e pelo Carnaval de rua, a cidade também guarda episódios curiosos que ajudam a contar sua trajetória ao longo dos séculos.
Muito além dos cartões-postais, Olinda mistura ciência, política, cultura popular e tradição em uma história que atravessa quase 500 anos. A seguir, veja sete curiosidades que ajudam a entender por que o município segue sendo um dos destinos mais simbólicos do país.
Um dos fatos mais curiosos da história da cidade envolve a astronomia. Em 1860, o astrônomo francês Emmanuel Liais registrou a observação de um cometa a partir do antigo observatório instalado em Olinda, no Alto da Sé.
O corpo celeste ficou conhecido como Cometa Olinda, sendo apontado como o primeiro cometa descoberto na América Latina, marco que colocou a cidade em destaque na história da ciência.
Muito antes da Independência do Brasil em 1822, Olinda já registrava debates políticos importantes.
Em 1710, durante a Guerra dos Mascates, o sargento-mor Bernardo Vieira de Melo defendeu a separação de Portugal em uma sessão da Câmara Municipal. O episódio é considerado por historiadores como uma das primeiras manifestações com caráter independentista no país.
Uma das histórias mais conhecidas diz que o nome da cidade teria surgido da expressão “Oh, linda!”, atribuída ao donatário Duarte Coelho ao avistar a região.
No entanto, pesquisadores afirmam que não há comprovação histórica para essa versão. A hipótese mais aceita é que o nome tenha origem em localidades portuguesas ou referências literárias da época da colonização.
Criado em 1932, o Homem da Meia-Noite é um dos principais ícones do Carnaval de Olinda. Mais do que um boneco gigante, ele é tratado como um símbolo cultural de grande valor afetivo para os foliões.
Sua saída à meia-noite do sábado de Carnaval marca o início oficial da festa no município e atrai milhares de pessoas todos os anos.
Durante o período colonial, Olinda desempenhou papel central na administração da capitania de Pernambuco. A cidade foi sede política e econômica até o crescimento do Recife, que assumiu a condição de capital em 1837.
Em 1827 foi criada a Faculdade de Direito de Olinda, uma das primeiras instituições de ensino jurídico do país, ao lado da Faculdade de São Paulo.
A escola formou importantes nomes da política brasileira e posteriormente foi transferida para o Recife, mantendo sua relevância histórica no ensino superior.
O Alto da Sé, um dos pontos mais visitados de Olinda, abriga um antigo reservatório de água que foi transformado em mirante.
Hoje, o espaço oferece uma das vistas mais conhecidas da cidade, especialmente no pôr do sol, atraindo moradores e turistas durante todo o ano.
A Olinda moderna ostenta quatro títulos, todos a ela atribuídos em virtude de sua exuberante beleza natural, de seu valioso patrimônio em pedra e cal, e da cultura de seu povo. São eles:
Patrimônio Cultural da Humanidade
O título de Patrimônio da Humanidade foi concedido pela Unesco em 1982, depois de uma luta iniciada pela Prefeitura em 1978, com o apoio de personalidades como o embaixador olindense Holanda Cavalcanti, o então ministro Eduardo Portela, além de Aloísio Magalhães.
Com esse título, Olinda inscreveu-se na lista de monumentos mundiais e figura ao lado de bens da humanidade como a Catedral de Notre-Dame, em Paris, o sítio arqueológico de Nemrut Dag, na Turquia, o Parque Nacional do Serengeti, na África, e a Cidade do Vaticano, entre outros 400 monumentos em todo o mundo.
Capital Brasileira da Cultura
O título foi concedido em 2005 pela ONG Capital Brasileira da Cultura (CBC), depois de campanha popular realizada durante dois meses. A conquista retratou um esforço da Prefeitura e de toda a sociedade. Mais de 11 mil pessoas e entidades declararam oficialmente seu apoio à candidatura da cidade.
Com o título, conferido pela primeira vez, a cidade foi, durante todo o ano de 2006, centro das atenções nacionais e internacionais, como principal destino turístico-cultural do Brasil.
Monumento Nacional – Lei federal n° 6863, de 26 de novembro de 1980 (Lei Fernando Coelho)
O título foi atribuído a Olinda durante o governo militar do presidente João Figueiredo e serviu para respaldar o encaminhamento à Unesco do processo de concessão do título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
Cidade Ecológica – Decreto municipal n° 023, de 29 de junho de 1982
O título foi conferido a Olinda pelo então prefeito Germano Coelho, tendo em vista as várias áreas verdes existentes na cidade, tais como o Horto d’ El Rey, um dos primeiros jardins botânicos do país; o bosque de coqueiros, situado na entrada da cidade, com mais de dez mil mudas; a Mata de Passarinho, além de outros sítios de preservação do verde. O dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, patrono da ecologia, é dedicado à comemoração do título e à exaltação ao coqueiro.
Mais do que um destino turístico, Olinda é uma cidade marcada por camadas de história, cultura e tradição. Seus episódios curiosos ajudam a reforçar a importância do município não apenas para Pernambuco, mas para a formação cultural e histórica do Brasil.
A mistura entre patrimônio, memória e cultura popular mantém a cidade viva e constantemente presente no imaginário brasileiro.
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