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Criação da tornozeleira eletrônica foi inspirada no Homem-Aranha; entenda

O equipamento, que integra o sistema de monitoramento judicial no Brasil desde 2010, entrou em debate na mídia após a tentativa de violação registrada durante a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Redação

26 de novembro de 2025 às 10:42   - Atualizado às 10:42

Jair Bolsonaro de tornozeleira eletrônica ao lado de uma imagem ilustrativa do Homem-Aranha.

Jair Bolsonaro de tornozeleira eletrônica ao lado de uma imagem ilustrativa do Homem-Aranha. Foto: Divulgação

O debate sobre tornozeleiras eletrônicas ganhou nova força no país depois do episódio envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O equipamento, que integra o sistema de monitoramento judicial no Brasil desde 2010, saiu do campo técnico e entrou no cotidiano das conversas após a tentativa de violação registrada durante sua prisão domiciliar. O caso chamou atenção tanto pela justificativa apresentada na audiência de custódia quanto pela história pouco conhecida sobre a criação do dispositivo.

Como surgiu a tornozeleira eletrônica?

A princípio, a tornozeleira eletrônica surgiu de uma ideia incomum. Nos anos 1970, o juiz Jack Love, do Novo México, viu em uma história em quadrinhos do Homem-Aranha um recurso que o surpreendeu. Na narrativa, o vilão Rei do Crime usava um bracelete para seguir os passos do herói.

O magistrado percebeu ali uma possibilidade real de acompanhar pessoas que cumpriam pena fora da prisão. Ele procurou um engenheiro e pediu o desenvolvimento de uma tecnologia semelhante, capaz de registrar deslocamentos e enviar os dados para uma central. Depois de concluído o projeto, o próprio juiz testou o equipamento em si mesmo antes de sugerir o uso no sistema penal norte-americano.

Quadrinho do Homem Aranha que inspirou criação da tornozeleira eletrônica.Quadrinho do Homem Aranha que inspirou criação da tornozeleira eletrônica. Foto: Reprodução

No Brasil, o dispositivo passou a fazer parte das medidas judiciais em 2010. Desde então, tribunais de diferentes estados adotaram a ferramenta para monitorar pessoas que cumprem prisão domiciliar, estão em regime semiaberto ou seguem determinações cautelares. O foco sempre recaiu sobre o controle dos deslocamentos, o cumprimento das regras definidas pela Justiça e a proteção de vítimas em casos específicos, como situações de violência doméstica.

Como funciona?

O funcionamento da tornozeleira segue parâmetros claros. O dispositivo fica preso ao tornozelo com uma pulseira resistente, projetada para impedir remoções sem autorização. O aparelho utiliza tecnologias de localização, como GPS e rede de telefonia, para transmitir informações em tempo real. Cada movimento é registrado e enviado para o órgão responsável pelo monitoramento. A partir desse fluxo contínuo, o sistema identifica se a pessoa cumpre as regras impostas pela Justiça, como permanência em casa durante determinados horários ou afastamento de locais proibidos.

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Qualquer violação, tentativa de abertura, corte, impacto forte ou interrupção proposital no sinal gera um alerta automático. Dependendo da decisão judicial, isso pode levar a novas medidas, que variam desde advertências até prisão imediata. O equipamento também exige carregamento diário, e a falha nesse procedimento se enquadra como violação.

Ao mesmo tempo, especialistas lembram que a tecnologia busca equilibrar o cumprimento das leis com a possibilidade de que algumas pessoas sigam suas rotinas fora do ambiente prisional. A ferramenta reduz custos, desafoga unidades superlotadas e permite que o Estado acompanhe, com precisão, cada deslocamento autorizado ou restrito.

Prisão de Bolsonaro

Agora, o assunto ganhou nova camada com as declarações de Bolsonaro na audiência realizada em 23 de novembro. O ex-presidente respondeu à juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, auxiliar do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e afirmou que tentou abrir a tampa do equipamento porque viveu um episódio de “paranoia” e “alucinação”.

Segundo o relato registrado na ata, ele atribuiu o comportamento à combinação inadequada de medicamentos psiquiátricos prescritos por médicos diferentes, entre eles pregabalina e sertralina. Ele também mencionou noites de sono interrompido e disse que não se lembrava de ter sentido algo parecido anteriormente.

Ainda mais, o documento da audiência aponta que Bolsonaro acreditou que a tornozeleira possuía algum tipo de escuta e, por isso, tentou manipulá-la. A central de monitoramento registrou alterações no equipamento, e a Polícia Federal verificou a possível violação. O episódio motivou a prisão preventiva decretada na semana seguinte.

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