Túmulo da Menina Sem Nome. Foto: Romulo Chico /Esp DP foto
No Dia de Finados, o Cemitério de Santo Amaro, na área central do Recife, recebe milhares de visitantes que prestam homenagens a entes queridos. Entre as sepulturas, chama a atenção o túmulo da "Menina sem Nome", uma criança assassinada em 1970, cuja identidade nunca foi descoberta.
A história da menina começou na manhã do dia 23 de junho de 1970, quando um vendedor de coco, identificado como Arlindo José da Silva, encontrou o corpo de uma criança na praia do Pina, na Zona Sul do Recife. O corpo estava quase todo coberto pela areia. A vítima, que aparentava ter entre 8 e 10 anos, usava apenas uma calça curta de adulto. As mãos e o pescoço estavam amarrados por uma corda, e havia marcas de facadas por todo o corpo.
A polícia abriu investigação e, inicialmente, o próprio vendedor foi preso como suspeito. Peritos afirmaram ter encontrado no estômago da menina restos da mesma comida que Arlindo teria consumido no dia anterior. Além disso, o depoimento de um funcionário e de uma lavadeira que teria lavado roupas manchadas de sangue levantaram ainda mais suspeitas contra ele.
Poucos dias depois, no entanto, o caso tomou outro rumo. Em 30 de junho de 1970, a polícia anunciou a prisão do mecânico Geraldo Magno de Oliveira, que ficou conhecido como o “Monstro do Pina”. Ele teria confessado o crime após prestar depoimento. Segundo o registro da época, Geraldo contou que havia atraído a menina para a praia oferecendo cinco cruzeiros. Ainda de acordo com o documento policial, ele afirmou que praticou “atos atentatórios ao pudor” e, logo em seguida, desferiu vários golpes de faca contra a criança.
Na confissão, Geraldo alegou que estava embriagado e não tinha a intenção de matar. Posteriormente, ele negou o crime e disse que havia sido coagido e torturado para assumir a autoria. Apesar da mudança na versão, o tribunal o considerou culpado. Em 1971, um júri popular o condenou a 19 anos de prisão. Registros indicam que ele teria morrido enquanto cumpria a pena.
Enquanto isso, o corpo da menina permaneceu no Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife por duas semanas. Nenhum familiar apareceu para reclamar o corpo, mesmo com a grande repercussão do caso nos jornais da época. Diante disso, a Secretaria de Segurança Pública autorizou o sepultamento como indigente. O enterro ocorreu em 3 de julho de 1970, no Cemitério de Santo Amaro, acompanhado por cerca de mil pessoas comovidas com a tragédia.
Com o passar dos anos, o túmulo da Menina sem Nome transformou-se em um símbolo de fé popular. Fiéis afirmam ter recebido graças e milagres após fazerem promessas e orações diante da sepultura. A história atravessou gerações, e o local se tornou ponto constante de visitação, especialmente em datas como o Dia de Finados.
Brinquedos, flores e bilhetes com pedidos ou agradecimentos se acumulam sobre o túmulo, que permanece simples, mas cheio de significados. Muitos visitantes dizem sentir paz ao se aproximar do local. Mesmo sem nome e sem família conhecida, a menina ganhou afeto coletivo e virou personagem marcante na memória do Recife.
20:52, 12 Fev
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