De acordo com Audrey Taguti, psicopegagoga e diretora do Brazilian International School BIS, de São Paulo, a família e a escola têm um papel central na identificação precoce e no suporte aos jovens
12 de janeiro de 2026 às 15:18 - Atualizado às 15:20
Janeiro Branco é um movimento de conscientização. Foto: Divulgação
O Janeiro Branco é um movimento de conscientização que chama a atenção para a importância do cuidado com a saúde mental e emocional. O tema é cada vez mais relevante, diante do crescimento no número de crianças e adolescentes que enfrentam transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão.
De acordo com Audrey Taguti, psicopedagoga e diretora do Brazilian International School (BIS), em São Paulo, família e escola exercem um papel central na identificação precoce de sinais de sofrimento emocional e no suporte aos jovens — especialmente em um contexto marcado pela grande exposição ao ambiente digital.
Segundo a especialista, crianças e adolescentes costumam expressar situações de estresse ou sofrimento por meio do comportamento. Por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos a três grupos principais de sinais, que podem indicar que o jovem está em sofrimento ou tentando ocultar algo.
“O primeiro sinal são mudanças abruptas de comportamento, como irritabilidade, isolamento repentino ou perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. O segundo envolve alterações físicas, queda no rendimento escolar ou mudanças nos padrões de sono e apetite. O terceiro alerta é o comportamento digital excessivo, com uso exagerado do celular, o hábito de se esconder para acessar a internet ou apagar conversas e histórico de navegação”, explica.
Para Audrey Taguti, a chave para abordar o tema de forma leve e assertiva está no diálogo e na escuta ativa, sempre respeitando a fase de desenvolvimento da criança ou do adolescente. A especialista aponta estratégias específicas para cada etapa.
Nessa fase, o desenvolvimento é predominantemente sensorial e motor, e a criança explora o mundo por meio dos sentidos. Como ainda não possui um repertório verbal totalmente estruturado para compreender emoções complexas, a melhor abordagem é o uso do lúdico.
“Se a criança está mais chorosa, agressiva ou retraída, os pais devem se sentar com ela para brincar e, por meio de desenhos, bonecos ou histórias, perguntar como o ‘personagem’ se sente. Assim, a criança consegue expressar emoções sem precisar usar palavras complexas, e o adulto deve validar esses sentimentos”, orienta.
Esse período é marcado pela busca por mais independência, maior identificação com grupos de pares e desenvolvimento da individualidade. É comum que o pré-adolescente questione regras e demonstre maior autoconsciência de suas vontades.
Diante de frustrações, dificuldades ou conflitos com amigos, na escola, no esporte ou em atividades sociais, os pais devem aproveitar momentos de convivência, como refeições ou passeios em família, para incentivar o diálogo sobre sentimentos e desafios do dia a dia.
“Os pais não devem minimizar esses sentimentos, que para o pré-adolescente são muito reais. É fundamental manter o diálogo aberto, com paciência e empatia, oferecendo um ambiente acolhedor”, reforça.
A adolescência é marcada por intensas transformações físicas, hormonais e emocionais. “Isso significa que o adolescente sente tudo com muita intensidade e, muitas vezes, reage de forma impulsiva”, explica Audrey.
Nessa fase, o foco deve ser o acolhimento incondicional, sem julgamentos. Quando o adolescente se isola ou demonstra irritação, os pais precisam validar os sentimentos e buscar o diálogo de forma clara e respeitosa.
“Percebi que você está mais quieto(a). O que posso fazer para te ajudar?”, sugere a educadora como exemplo de abordagem.
Audrey destaca ainda que o exemplo dos pais é essencial. Adultos que demonstram estratégias saudáveis para lidar com frustrações ensinam, na prática, a autorregulação emocional. Caso os sintomas persistam e haja prejuízo na rotina do jovem, a busca por ajuda especializada deve ser imediata.
A escola também assume um papel decisivo na promoção da saúde emocional, sendo um espaço privilegiado para identificar problemas e implementar ações preventivas. Em parceria com a família, a instituição funciona como uma rede de apoio fundamental.
Projetos de convivência, rodas de conversa e atividades artísticas e esportivas são canais importantes de expressão e acolhimento. Além disso, a restrição do uso de celulares em sala de aula, adotada desde o ano passado, tem contribuído para o resgate do encontro humano, da atenção plena e do bem-estar dos alunos.
“O ambiente escolar oferece espaços seguros de convivência e aprendizado prático, onde os jovens aprendem a lidar com as diferenças, resolver conflitos e desenvolver resiliência”, conclui a docente.
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