A esquerda coberto com a mucosa avermelhada do interior da boca, e com um pequeno círculo para a passagem da luz, a direita com a prótese para efeitos estéticos. Créditos: Dr. Giancarlo Falcinelli; Dr. Benedetto Falsini; Maurizio Taloni, Dr.; Dr. Paulo Colliardo; Dr. Giovanni Falcinelli/Reprodução
Uma técnica pouco convencional, conhecida como cirurgia dente-no-olho, está revolucionando o tratamento de pacientes com cegueira corneana grave incapazes de realizar transplantes tradicionais de córnea. Utilizando um dente próprio do paciente, essa cirurgia complexa permite o implante de uma lente de plástico fixada no dente, que substitui a córnea danificada e possibilita a passagem de luz até a retina, restaurando parcialmente a visão.
O procedimento, oficialmente chamado de ceratoprótese osteo-odonto-queratoprótese, consiste em extrair um dente do paciente acompanhando um pedaço do osso e gengiva, para servir como sustentação a uma lente acrílica. Após preparo inicial, essa estrutura é implantada embaixo da pele para integração ao organismo, geralmente no rosto ou ombro. Depois de meses, o conjunto é transferido para o olho, substituindo a córnea.
Segundo a oftalmologista Ione Alexim, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o método oferece uma estrutura muito duradoura para a lente, com menor risco de rejeição imunológica em comparação aos transplantes convencionais.
Brent Chapman, canadense de 34 anos, compartilhou sua experiência positiva após passar pelo procedimento, que lhe devolveu a visão após mais de 20 anos de cegueira. Ele relatou inicialmente incredulidade diante da técnica, comparando a sensação à ficção científica.
O procedimento foi conduzido pelo oftalmologista e professor da University of British Columbia, Greg Moloney, que reforça a complexidade do método, mas destaca sua eficiência e durabilidade a longo prazo.
A cirurgia é indicada para pacientes com lesão limitada à córnea, sendo fundamental que retina, nervo óptico e cérebro estejam preservados para que o método funcione. Entre as principais condições que podem ser beneficiadas estão queimaduras químicas, síndrome de Stevens-Johnson em estágio grave, lesões físicas na córnea, doenças autoimunes que comprometem a superfície ocular e falência das células-tronco da córnea.
Contudo, o procedimento exige longo acompanhamento oftalmológico devido aos riscos e possíveis complicações, inclusive a longo prazo. Além disso, não proporciona recuperação total da visão, mas melhora a capacidade visual para identificar vultos e ler letras grandes, aumentando a autonomia dos pacientes.
Pacientes com doenças graves na retina ou nervo óptico, glaucoma avançado, olhos sem percepção de luz, deslocamento irreparável da retina e crianças menores de 17 anos não são indicados para a cirurgia. A saúde geral do paciente também é avaliada para evitar complicações.
A técnica foi descrita pela primeira vez em 1963 pelo professor italiano Benedetto Strampelli e permanece como cirurgia de alta complexidade, recomendada apenas para casos restritos devido ao perfil invasivo e desafios técnicos.
Apesar de resultados promissores, o método ainda não foi adotado no Brasil, demandando mais estudos para validar sua segurança e efetividade globalmente, como aponta o coordenador de oftalmologia do Hospital Sírio-Libanês, Alexandre Misawa.
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