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Cirurgia dente-no-olho: técnica inovadora que devolve a visão a pessoas com cegueira corneana grave

Procedimento usa implante de dente para substituir córnea danificada e permitir recuperação parcial da visão.

Joice Gomes

16 de setembro de 2025 às 16:30

A esquerda coberto com a mucosa avermelhada do interior da boca, e com um pequeno círculo para a passagem da luz, a direita com a prótese para efeitos estéticos.

A esquerda coberto com a mucosa avermelhada do interior da boca, e com um pequeno círculo para a passagem da luz, a direita com a prótese para efeitos estéticos. Créditos: Dr. Giancarlo Falcinelli; Dr. Benedetto Falsini; Maurizio Taloni, Dr.; Dr. Paulo Colliardo; Dr. Giovanni Falcinelli/Reprodução

Uma técnica pouco convencional, conhecida como cirurgia dente-no-olho, está revolucionando o tratamento de pacientes com cegueira corneana grave incapazes de realizar transplantes tradicionais de córnea. Utilizando um dente próprio do paciente, essa cirurgia complexa permite o implante de uma lente de plástico fixada no dente, que substitui a córnea danificada e possibilita a passagem de luz até a retina, restaurando parcialmente a visão.

O que é a cirurgia dente-no-olho?

O procedimento, oficialmente chamado de ceratoprótese osteo-odonto-queratoprótese, consiste em extrair um dente do paciente acompanhando um pedaço do osso e gengiva, para servir como sustentação a uma lente acrílica. Após preparo inicial, essa estrutura é implantada embaixo da pele para integração ao organismo, geralmente no rosto ou ombro. Depois de meses, o conjunto é transferido para o olho, substituindo a córnea.

Segundo a oftalmologista Ione Alexim, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o método oferece uma estrutura muito duradoura para a lente, com menor risco de rejeição imunológica em comparação aos transplantes convencionais.

Caso de sucesso internacional

Brent Chapman, canadense de 34 anos, compartilhou sua experiência positiva após passar pelo procedimento, que lhe devolveu a visão após mais de 20 anos de cegueira. Ele relatou inicialmente incredulidade diante da técnica, comparando a sensação à ficção científica.

O procedimento foi conduzido pelo oftalmologista e professor da University of British Columbia, Greg Moloney, que reforça a complexidade do método, mas destaca sua eficiência e durabilidade a longo prazo.

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Indicações e limitações do procedimento

A cirurgia é indicada para pacientes com lesão limitada à córnea, sendo fundamental que retina, nervo óptico e cérebro estejam preservados para que o método funcione. Entre as principais condições que podem ser beneficiadas estão queimaduras químicas, síndrome de Stevens-Johnson em estágio grave, lesões físicas na córnea, doenças autoimunes que comprometem a superfície ocular e falência das células-tronco da córnea.

Contudo, o procedimento exige longo acompanhamento oftalmológico devido aos riscos e possíveis complicações, inclusive a longo prazo. Além disso, não proporciona recuperação total da visão, mas melhora a capacidade visual para identificar vultos e ler letras grandes, aumentando a autonomia dos pacientes.

Contraindicações importantes

Pacientes com doenças graves na retina ou nervo óptico, glaucoma avançado, olhos sem percepção de luz, deslocamento irreparável da retina e crianças menores de 17 anos não são indicados para a cirurgia. A saúde geral do paciente também é avaliada para evitar complicações.

Histórico e complexidade

A técnica foi descrita pela primeira vez em 1963 pelo professor italiano Benedetto Strampelli e permanece como cirurgia de alta complexidade, recomendada apenas para casos restritos devido ao perfil invasivo e desafios técnicos.

Apesar de resultados promissores, o método ainda não foi adotado no Brasil, demandando mais estudos para validar sua segurança e efetividade globalmente, como aponta o coordenador de oftalmologia do Hospital Sírio-Libanês, Alexandre Misawa.

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