O soldado voluntário brasileiro André Hack Bahi, que lutava ao lado das forças da Ucrânia desde o final de fevereiro Foto: Reprodução / Facebook.
O governo da Ucrânia tem intensificado campanhas internacionais de recrutamento, e o Brasil se tornou um dos principais alvos. A estratégia visa atrair voluntários dispostos a lutar no conflito contra a Rússia, oferecendo salários mensais de até R$ 25 mil, além de benefícios como treinamento, apoio logístico e seguro de vida milionário.
Desde abril de 2025, vídeos e conteúdos divulgados por oficiais ucranianos, mercenários experientes e voluntários circulam intensamente nas redes sociais e aplicativos como WhatsApp, Telegram e X. Para facilitar a adesão, a Ucrânia traduziu sua página oficial de recrutamento para o português e conta com intermediários brasileiros para auxiliar no processo.
A principal atração do programa é o aspecto financeiro. Os rendimentos oferecidos estão muito acima da média salarial brasileira, tornando o alistamento atrativo especialmente para pessoas em situação econômica vulnerável. Além disso, a Ucrânia promete um seguro de vida de até US$ 350 mil (cerca de R$ 1,7 milhão), pago à família em caso de morte durante o combate.
Embora não seja exigida experiência militar formal, candidatos com histórico em forças armadas, segurança ou conflitos armados têm vantagem no processo seletivo.
O recrutamento internacional ocorre em um momento crítico para o Exército ucraniano. Desde o início da invasão russa, em 2022, cerca de 100 mil soldados teriam desertado, mais da metade apenas no último ano, principalmente na região de Donbass. Analistas estimam que dezenas de milhares de combatentes perderam a vida no conflito.
Atualmente, a Ucrânia afirma manter cerca de 800 mil soldados ativos, mas enfrenta dificuldades para repor as perdas. Para conter a escassez de efetivo, o governo reduziu a idade mínima de alistamento obrigatório de 27 para 25 anos e reforçou o controle nas fronteiras, impedindo que homens em idade militar deixem o país.
O esforço de guerra da Ucrânia se reflete em investimentos. Em 2025, o país aprovou um orçamento militar recorde, equivalente a mais de 30% do PIB nacional. Apesar disso, o peso do conflito recai de forma desproporcional sobre a população local, cujo salário médio anual é de aproximadamente € 3.500.
A campanha de recrutamento voltada para brasileiros evidencia a necessidade do governo ucraniano em atrair combatentes estrangeiros, oferecendo salários competitivos e benefícios de alto valor, em meio a um dos conflitos mais longos e devastadores da Europa nos últimos anos.
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