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Bloco e troça: entenda as diferenças que definem a identidade da folia de Pernambuco

Entenda como a estrutura e o horário de desfile distinguem as agremiações em Olinda e no Recife.

Beto Dantas

28 de janeiro de 2026 às 13:59   - Atualizado às 13:59

Encontro de Bonecos gigantes Olinda 2015

Encontro de Bonecos gigantes Olinda 2015 Foto: Beto Dantas/PEFotos

No Carnaval de Pernambuco, a distinção entre as agremiações é fundamental para entender a dinâmica das ruas e a organização de uma das maiores festas populares do mundo. Embora ambos os formatos arrastem multidões ao som do frevo, o bloco e a troça possuem origens, propósitos e estruturas que divergem profundamente na história da folia. Para o folião que sobe e desce as ladeiras de Olinda ou percorre as pontes do Recife, identificar essas características ajuda a compreender a riqueza do patrimônio imaterial do estado.

O bloco e o rigor da tradição

O bloco é uma agremiação considerada mais robusta e formal dentro da hierarquia carnavalesca. De acordo com informações da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), os blocos tradicionais, especialmente os chamados "blocos de pau e corda", surgiram no início do século XX como clubes sociais que prezavam pelo lirismo. Essas entidades mantêm orquestras completas, frequentemente acompanhadas por corais femininos que entoam marchinhas e frevos de bloco.

Eles prezam pela elegância visual, com estandartes imponentes chamados flabelos, e desfilam em horários planejados, geralmente sob a luz da tarde ou no início da noite. O Galo da Madrugada, conforme detalhado pelo portal G1, é o maior exemplo de bloco que, apesar de sua dimensão gigantesca, preserva a identidade de "clube de máscaras" e a organização centralizada que define essa categoria de agremiação.

A troça e a alma da irreverência

A troça nasceu da espontaneidade e, muitas vezes, da dissidência de blocos maiores. Segundo o portal UOL, essas agremiações surgiram de pequenos grupos de amigos ou categorias profissionais que desfilavam em horários alternativos para "brincar" o carnaval de forma menos rígida. Elas são marcadas pelo deboche, pela crítica política e pela agilidade necessária para serpentear pelas ladeiras estreitas do Sítio Histórico de Olinda.

Diferente dos blocos líricos, a troça foca na potência das orquestras de metais e em estandartes que muitas vezes trazem nomes satíricos. De acordo com registros da Prefeitura de Olinda, exemplos clássicos como o Cariri Olindense e a Ceroula de Olinda nasceram dessa vontade de ocupar a cidade de forma livre, muitas vezes saindo às ruas nas primeiras horas da manhã para "acordar" os foliões.

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Impacto cultural e soberania

De acordo com o portal Terra, a manutenção desses títulos e categorias é uma questão de honra para os fundadores e para o Governo do Estado. Enquanto o bloco representa a pompa, a poesia e o resgate histórico da burguesia recifense antiga, a troça simboliza a resistência popular e a democratização do espaço público. Essa coexistência garante que o ecossistema da folia permaneça diverso, oferecendo desde o desfile contemplativo até a explosão de energia do frevo de rua.

Ainda segundo informações da revista Exame, o mapeamento dessas agremiações também possui um valor econômico e turístico, atraindo investimentos para a preservação das sedes e para o pagamento das orquestras de músicos locais, que são o coração pulsante da festa. Sem o rigor dos blocos e a anarquia organizada das troças, o Carnaval de Pernambuco perderia a complexidade que o torna único no calendário cultural brasileiro.

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