Tecnologia usada no estudo permitirá reconstruir rotas dos animais e aprofundar o conhecimento sobre áreas sensíveis da costa pernambucana.
24 de agosto de 2026 às 15:15 - Atualizado às 16:31
Especialistas capturando os animais para colocação de chip. Foto: Tarcísio Augusto/SEMAS
O monitoramento científico de tubarões no litoral do Grande Recife terá sua primeira saída experimental no dia 4 de setembro de 2026. A operação regular está prevista para começar no dia seguinte, após ajustes e testes dos procedimentos realizados no mar.
A iniciativa será conduzida pelo Projeto Ecotuba, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em parceria com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). A meta é marcar 50 animais ao longo de dois anos.
O projeto abrange aproximadamente 33 quilômetros da costa, entre a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. O trecho concentra grande parte dos incidentes registrados no estado desde 1992.
Antes das capturas, dez receptores acústicos serão instalados em pontos estratégicos do litoral metropolitano. Os aparelhos submersos conseguem reconhecer os sinais emitidos pelos animais marcados quando eles passam a uma distância de até um quilômetro.
Os tubarões serão capturados por meio de pesca científica com espinhéis. Na embarcação, cada animal passará por identificação da espécie, medição, coleta de sangue e tecido e avaliação biológica. As fêmeas também poderão ser submetidas a ultrassom.
Em seguida, os pesquisadores implantarão um pequeno transmissor acústico na região ventral do animal. Todo o procedimento deve durar cerca de 15 minutos, reduzindo o tempo de permanência fora da água. Após a marcação, o tubarão será devolvido ao mar.
Cada transmissor possui uma identificação própria. Os registros de data, horário e localização permitirão reconstruir os deslocamentos e investigar uma possível circulação entre o litoral metropolitano e Fernando de Noronha.
Apesar do rastreamento, a tecnologia não permitirá avisar banhistas em tempo real sobre a aproximação de tubarões. As informações ficarão armazenadas nos receptores e precisarão ser recolhidas posteriormente pelos pesquisadores.
O acompanhamento também estará limitado aos animais que receberem os transmissores. Por isso, o sistema será utilizado principalmente para estudos científicos, identificação de padrões de deslocamento e desenvolvimento de políticas preventivas.
O início das operações estava inicialmente previsto para julho, mas foi adiado devido à necessidade de adaptar a embarcação. O projeto recebeu investimento estadual de R$ 1,052 milhão.
Em 2026, três incidentes foram registrados no Grande Recife. Pernambuco contabiliza 84 ocorrências envolvendo tubarões desde o início da série histórica, em 1992.
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