O caso ocorreu no dia 27 de março, na rodovia PE-28, no sentido litoral do Cabo de Santo Agostinho, município localizado na Região Metropolitana do Recife.
18 de maio de 2026 às 15:51 - Atualizado às 16:25
Fotos: Reprodução. Montagem: Portal de Prefeitura
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) concluiu que foi forjado o suposto atentado a tiros sofrido pela secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, registrado em março deste ano. O caso, que inicialmente foi tratado como uma possível violência de gênero, terminou com o indiciamento da gestora e do motorista que a acompanhava, Ewerton Eduardo, por fraude processual, denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime.
A conclusão da investigação foi divulgada após a análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outros elementos reunidos durante o inquérito policial. Com o avanço das apurações, a versão apresentada inicialmente pelas supostas vítimas passou a ser questionada devido a inconsistências e contradições identificadas pelos investigadores.
O caso ocorreu no dia 27 de março, na rodovia PE-28, no sentido litoral do Cabo de Santo Agostinho, município localizado na Região Metropolitana do Recife. Na ocasião, um disparo atingiu a janela traseira do veículo onde Aline Melo estava, do lado em que ela se encontrava e próximo à altura de sua cabeça.
Logo após o ocorrido, a secretária afirmou que o episódio poderia estar relacionado a um crime de gênero. Ela e o motorista relataram que perceberam a aproximação de uma motocicleta com características específicas, incluindo farol de LED, que teria tentado ultrapassar o carro pelo acostamento antes do disparo.
No entanto, durante as investigações, a Polícia Civil teve acesso a imagens que mudaram o rumo do caso. Um dos vídeos analisados mostra um encontro de aproximadamente 17 segundos entre o veículo em que estavam a secretária e o motorista e uma motocicleta com as mesmas características citadas no depoimento inicial.
A apuração revelou ainda que a moto pertence ao pai de Ewerton Eduardo, motorista que acompanhava a secretária no momento do suposto atentado. Segundo a polícia, essa informação não foi mencionada inicialmente pelos envolvidos.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, o carro chegou a parar no acostamento pouco antes do local onde o disparo ocorreu, momento em que houve o encontro com o motociclista. Inicialmente, o pai do motorista negou ter passado pelo trajeto registrado nas imagens.
Posteriormente, após ser confrontado com as provas, ele mudou a versão e confirmou que estava no local. A justificativa apresentada foi a de que ele teria ido entregar uma caixa contendo canetas emagrecedoras ao filho. Segundo os relatos, o material seria comercializado pelo motorista.
A Polícia Civil destacou que essa informação só foi apresentada em um segundo momento e que a omissão do encontro foi considerada um ponto relevante para o avanço das investigações. O motorista preferiu permanecer em silêncio ao ser questionado sobre o episódio. Já Aline Melo afirmou ter se lembrado posteriormente da entrega do suposto pacote.
Além do indiciamento da secretária e do motorista, o pai de Ewerton Eduardo também foi responsabilizado pela polícia. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio, por ter, segundo a investigação, efetuado os disparos.
A avaliação técnica apontou que, apesar de a versão inicial ter sido desmontada, os tiros colocaram em risco a vida dos ocupantes do veículo. Segundo a investigação, um pequeno desvio na trajetória poderia ter atingido diretamente uma das pessoas dentro do carro. A Polícia Civil informou que não detalhou qual teria sido a motivação para a suposta simulação do atentado.
Diante da conclusão do inquérito, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou o afastamento imediato da secretária executiva da Mulher e do motorista. Em nota oficial, a gestão municipal afirmou que acompanhará o andamento do caso e tomará as medidas administrativas cabíveis caso sejam confirmadas irregularidades.
A administração municipal reforçou ainda o compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito à população, destacando que aguarda o desdobramento das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
O caso segue agora para análise do Ministério Público e da Justiça, que irão avaliar as responsabilizações criminais apontadas pela Polícia Civil.
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