Professora de Direito Juliana Santiago, morta a facadas e autor do crime João Júnior. Foto: Reprodução
A Polícia Civil de Rondônia investiga como feminicídio o assassinato da professora de Direito Juliana Santiago, morta a facadas na noite de sexta-feira (6).
O crime ocorreu dentro das dependências de uma faculdade particular em Porto Velho e teve como autor confesso o aluno João Junior, que foi preso em flagrante no local.
De acordo com informações divulgadas pelo g1, o suspeito utilizou uma faca que havia sido entregue a ele pela própria vítima no dia anterior, junto com um doce de amendoim, para cometer o ataque.
Segundo o boletim de ocorrência, o agressor relatou à polícia que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima. Ele alegou estar "emocionalmente abalado" após um suposto afastamento da professora e a descoberta de que ela teria retomado contato com um ex-companheiro.
Essa versão de vínculo afetivo, no entanto, está sob investigação da Delegacia de Homicídios, que analisa se a motivação real envolve um sentimento de posse ou obsessão.
Na noite do crime, ele esperou que a professora estivesse sozinha em uma sala de aula para confrontá-la. Durante a discussão, o aluno afirmou ter sido "tomado por intensa raiva" e atacou a docente com diversos golpes.
A violência do ataque foi percebida por um aluno de uma sala vizinha, que é policial militar.
Ao ouvir gritos e o som de móveis sendo quebrados, o militar foi até o local e avistou a professora ferida. Ele perseguiu o suspeito, que tentava fugir do campus, e conseguiu imobilizá-lo até a chegada das guarnições da Polícia Militar.
Juliana Santiago sofreu perfurações na região do tórax, incluindo ferimentos nos seios, e uma laceração no braço direito — sinal característico de tentativa de defesa.
Imagens registradas por estudantes mostram a professora ainda com vida logo após o ataque, cercada por alunos que tentavam prestar socorro. Ela foi encaminhada ao pronto-socorro do Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes de dar entrada na unidade.
O caso de Juliana Santiago reflete uma estatística alarmante no país. Segundo dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou um recorde histórico em 2025, com 1.518 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mulheres mortas por dia apenas pelo fato de serem mulheres.
Estatísticas apontam que em cerca de 80% dos casos, o autor do crime é um parceiro ou ex-parceiro íntimo, e a principal motivação registrada pelas autoridades é a não aceitação do término do relacionamento ou o ciúme excessivo. Em Rondônia, a taxa de feminicídios permanece como uma das mais altas do país proporcionalmente à população, reforçando o cenário de vulnerabilidade feminina em ambientes que deveriam ser seguros, como o acadêmico.
A faculdade suspendeu as atividades acadêmicas em luto pela professora.
A Polícia Civil informou que os celulares da vítima e do agressor foram apreendidos para perícia técnica, buscando confirmar o histórico de interações entre ambos.
Testemunhas e colegas de trabalho também serão ouvidos nos próximos dias. Até o fechamento desta reportagem, a defesa de João Junior optou por não se pronunciar.
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