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Pix sem internet: Veja as novidades que o Banco Central prepara para o sistema

Projetos em estudo miram ampliar o uso do meio de transferências, facilitar pagamentos em diferentes situações e reforçar a segurança das transações.

12 de agosto de 2026 às 09:39   - Atualizado às 09:46

Pessoa em aplicativo de banco com nova modalidade de pagamento,pix por aproximação.

Pessoa em aplicativo de banco com nova modalidade de pagamento,pix por aproximação. Foto: Divulgação

O Pix usado hoje pode ganhar recursos bem diferentes nos próximos anos. Entre os projetos avaliados pelo Banco Central estão pagamentos iniciados mesmo quando o usuário estiver sem conexão à internet, integração com sistemas estrangeiros e novas ferramentas para identificar golpes antes que o dinheiro seja transferido.

As propostas aparecem no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo BC na segunda-feira, 10 de agosto. Parte das iniciativas já está em desenvolvimento, enquanto outras permanecem em discussão e ainda não têm data definida para chegar ao público.

Pix por aproximação mesmo sem internet

Uma das mudanças com maior potencial de alterar a experiência cotidiana é a evolução do Pix por aproximação.

O Banco Central trabalha em uma solução que permita iniciar o pagamento mesmo quando o celular do pagador estiver offline. A proposta também prevê ampliar os equipamentos capazes de realizar a aproximação por NFC, indo além dos smartphones. Relógios, pulseiras, cartões e outros dispositivos poderão fazer parte desse modelo no futuro. O projeto de Pix por aproximação com pagador offline já aparece na agenda evolutiva do sistema para 2027 em diante.

A novidade não deve ser confundida com o Pix por aproximação disponível atualmente, que já permite pagar encostando o celular em um equipamento compatível, mas funciona dentro do modelo online.

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Uma conta poderá reunir boleto e Pix

Outra frente é a chamada cobrança híbrida. A proposta é padronizar documentos que ofereçam, ao mesmo tempo, o código de barras tradicional do boleto e um QR Code do Pix.

Assim, o consumidor poderá escolher a forma de pagamento sem precisar receber cobranças separadas. O Banco Central trabalha também nos mecanismos para dar baixa automaticamente em uma opção quando a outra for utilizada.

O Pix Automático também poderá ser ampliado. Entre as possibilidades avaliadas estão novos tipos de cobrança e ajustes que tornem o serviço mais flexível para pagamentos recorrentes.

Pix poderá atravessar fronteiras

O futuro do sistema também pode envolver pagamentos internacionais. O BC estuda conectar o Pix diretamente a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países ou a estruturas multilaterais.

Na prática, uma integração desse tipo poderia permitir remessas e compras internacionais com conversão e disponibilização dos recursos em moeda local de maneira muito mais rápida.

Isso seria diferente das soluções privadas que atualmente permitem usar Pix em determinadas compras no exterior: hoje não existe uma integração direta e ampla do sistema brasileiro com as infraestruturas oficiais de outros países.

Inteligência contra golpes

Segurança é outra prioridade da próxima fase. O Banco Central desenvolve um indicador capaz de calcular, em tempo real, a probabilidade de uma operação ser fraudulenta.

O modelo utiliza técnicas de machine learning e poderá servir como informação adicional para os sistemas antifraude dos bancos. A eventual disponibilização da ferramenta, porém, ainda depende de testes técnicos e avaliação jurídica.

Também estão nos planos a padronização dos avisos de golpe apresentados aos clientes, novos critérios para identificar operações suspeitas e maior participação do próprio BC no bloqueio ou exclusão de chaves problemáticas.

Pix bateu recordes em 2025

As novas funções são planejadas em um momento de forte expansão do sistema. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, que movimentaram mais de R$ 35 trilhões. Segundo o relatório, 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas fizeram ou receberam ao menos um Pix naquele ano.

O recorde diário ocorreu em 5 de dezembro de 2025, quando o sistema processou mais de 313,3 milhões de operações em apenas um dia. O Banco Central também registra mais de 920 milhões de chaves Pix cadastradas.

A evolução continua depois de uma sequência de lançamentos. Nos últimos anos, o Pix ganhou pagamento por aproximação, Pix Automático e melhorias no Mecanismo Especial de Devolução (MED). Agora, a próxima etapa mira uma experiência mais integrada, internacional e capaz de funcionar em situações nas quais o modelo atual ainda encontra limitações.

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