Diferente de tratamentos tradicionais, o remédio atua diretamente em um dos principais mecanismos associados à doença.
23 de abril de 2026 às 12:03 - Atualizado às 12:19
Medicamento para o Alzheimer. Foto: Reprodução
O novo medicamento voltado ao tratamento do Alzheimer deve chegar ao Brasil em junho, ampliando as opções terapêuticas para uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras da atualidade.
A medicação foi aprovada pela Anvisa no fim de 2025 e, segundo informações do setor farmacêutico, deve começar a ser disponibilizada no mercado brasileiro no final de junho deste ano. O produto é desenvolvido pela empresa japonesa Eisai em parceria com a farmacêutica Biogen.
Diferentemente de tratamentos tradicionais, o lecanemabe, comercializado internacionalmente como Leqembi, atua diretamente em um dos principais mecanismos associados ao Alzheimer: o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro. Essa substância está ligada à morte de neurônios e ao comprometimento progressivo da memória e de outras funções cognitivas.
A proposta da nova terapia é reduzir esse acúmulo e, com isso, desacelerar a evolução da doença. Estudos clínicos indicam que pacientes em fase inicial podem apresentar uma redução no ritmo de declínio cognitivo ao longo do tratamento. Apesar disso, especialistas ressaltam que o medicamento não é capaz de reverter danos já causados.
A aplicação do remédio é feita por infusão na veia, o que exige acompanhamento médico contínuo e estrutura adequada para monitoramento de possíveis efeitos adversos. Por esse motivo, o tratamento tende a ser concentrado em centros especializados.
O remédio teve seu preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), ligada à Anvisa.
De acordo com o órgão, o custo mensal do tratamento varia entre R$ 8,1 mil e R$ 11 mil, a depender da carga de impostos aplicada em cada estado. O valor considera um paciente com cerca de 70 quilos e o protocolo padrão de administração, que prevê aplicações intravenosas a cada duas semanas, em ambiente controlado.
Mesmo com os avanços, ainda não há definição sobre a inclusão do lecanemabe no Sistema Único de Saúde (SUS) ou cobertura obrigatória pelos planos de saúde. O alto custo pode ser um dos principais desafios para a ampliação do acesso à terapia no país.
A chegada do medicamento ocorre em um momento em que novas abordagens para o Alzheimer começam a surgir no mundo, trazendo perspectivas de controle mais eficaz da doença, que hoje afeta milhões de pessoas globalmente e ainda não possui cura.
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