Marcelo Macedo Lombardi, de 45 anos, teve complicações graves provocadas pela suspeita ingestão de bebida alcoólica adulterada.
Advogado Marcelo Macedo Lombardi. Foto: Divulgação
O advogado Marcelo Macedo Lombardi, de 45 anos, morreu em São Paulo após complicações graves provocadas pela suspeita ingestão de bebida alcoólica adulterada com metanol. A morte ocorreu no último domingo, 28 de setembro, em um hospital de São Bernardo do Campo, um dia depois de ele ser internado às pressas. O caso é o terceiro registrado no Estado apenas em setembro, em meio a uma série de investigações sobre produtos contaminados.
De acordo com familiares, Lombardi começou a sentir sintomas incomuns ainda na sexta-feira (26), data em que teria consumido a bebida. Os parentes não souberam informar se o produto foi adquirido em um bar ou em uma adega. No sábado (27), os sinais se agravaram e ele passou a relatar que enxergava um “clarão”, como se uma forte luz tomasse sua visão. A prima da vítima, Larissa Schuwarten, contou ao Estadão que o mal-estar incluía sonolência extrema e alterações visuais, sintomas associados à intoxicação por metanol.
O advogado buscou atendimento em um hospital de São Bernardo, mas já chegou em estado delicado. Segundo a família, ele estava tão debilitado que não conseguiu passar por hemodiálise, procedimento usado para tentar eliminar a substância tóxica do organismo. No dia seguinte, os órgãos começaram a falhar em sequência. Primeiro o fígado parou de funcionar, seguido dos rins. No início da tarde de domingo, os médicos confirmaram a morte. O corpo foi velado na noite de segunda-feira (29) em São Caetano e será enterrado nesta terça-feira (30) em São Bernardo do Campo.
A Secretaria da Saúde de São Paulo confirmou que Lombardi é a terceira vítima fatal em decorrência de possível contaminação por metanol. Os outros dois óbitos, de homens de 54 e 58 anos, ocorreram em São Paulo e também em São Bernardo do Campo. Além das mortes, o governo estadual investiga outros sete casos de intoxicação com características semelhantes.
Diante da gravidade da situação, equipes das secretarias estaduais da Saúde e da Segurança Pública (SSP) realizaram fiscalizações em bares e adegas nas regiões da Mooca e dos Jardins, em São Paulo. A ação resultou na apreensão de 117 garrafas sem rótulo e sem comprovação de procedência. O material foi encaminhado ao Instituto de Criminalística para perícia. Dois estabelecimentos foram autuados por irregularidades sanitárias. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) levantou a hipótese de participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no esquema de adulteração das bebidas, tese que também é investigada.
Na última semana, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) já havia emitido um alerta sobre nove casos de intoxicação identificados pelo Laboratório de Toxicologia Analítica do CIATox, em Campinas. Nesta segunda-feira (29), o MJSP confirmou os três óbitos suspeitos e elevou para dez o número total de ocorrências em análise. A pasta informou que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviará comunicados aos Procons de todo o país com orientações específicas sobre fiscalização da venda de bebidas alcoólicas.
O Ministério da Saúde também acompanha os desdobramentos e mantém diálogo com o governo paulista para monitorar a situação.
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