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Fernando de Noronha faz 523 anos e revela um mundo escondido debaixo d'água

Projeto fotográfico reúne registros panorâmicos de 16 pontos de mergulho e destaca biodiversidade, geologia e história preservadas no arquipélago.

10 de agosto de 2026 às 20:19   - Atualizado às 21:00

Em Fernando de Noronha, tartaruga recebe limpeza no casco por pequenos peixes.

Em Fernando de Noronha, tartaruga recebe limpeza no casco por pequenos peixes. Foto: Fabi Fregonesi

Em Fernando de Noronha, tartaruga recebe limpeza no casco por pequenos peixes.

Fernando de Noronha completa 523 anos de descoberta nesta segunda-feira, 10 de agosto, cercada pelas paisagens que ajudaram a transformar o arquipélago em um dos destinos mais conhecidos do Brasil. Parte de seus cenários mais surpreendentes, porém, permanece escondida abaixo da superfície.

Fotógrafos que mergulham na região desde 2009 reuniram registros de diferentes pontos submersos da ilha. Fabi Fregonesi e Raphael Gatti desenvolveram neste ano o projeto “Panorâmicas de Noronha”, com imagens de 16 locais de mergulho feitas por meio de fotografia panorâmica.

Os registros ajudam a mostrar uma característica fundamental do arquipélago: Noronha corresponde à parte visível de uma extensa formação vulcânica submersa. Debaixo da água existem paredões, cânions, arcos, túneis e estruturas rochosas que alcançam dezenas de metros.

Tubarão é capturado pelas lentes dos mergulhadores.

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Vida marinha chama atenção

Entre as cenas encontradas pelos mergulhadores estão agrupamentos de lagostas escondidas em fendas das pedras. A concentração dos animais ganhou entre mergulhadores o apelido de “condomínio de lagostas”.

Outro comportamento curioso ocorre nas chamadas estações de limpeza. Nesses pontos, pequenos peixes retiram algas e parasitas do casco e da pele de tartarugas marinhas.

Tubarões também fazem parte da paisagem. Espécies como tubarão-lixa, tubarão-de-recife e tubarão-limão podem ser encontradas nas águas do arquipélago.

Mergulhador rodeado por formações vulcânicas em Noronha

Naufrágio permanece preservado

Abaixo do mar também está uma parte da história brasileira. A Corveta Ipiranga, da Marinha, naufragou em outubro de 1983 depois de atingir o Cabeço da Sapata.

A embarcação permanece a aproximadamente 62 metros de profundidade e se tornou um dos pontos conhecidos entre mergulhadores experientes.

Já nas Pedras Secas, formações vulcânicas criaram cânions, cavernas e passagens naturais. Uma delas recebeu o nome de Caveirão por lembrar o formato de uma grande caveira.

As condições naturais ajudam a explicar por que Noronha se tornou referência para o mergulho. A temperatura da água costuma variar entre 26°C e 29°C, enquanto a visibilidade pode alcançar cerca de 50 metros em determinadas épocas.

É nesse ambiente que tartarugas, arraias, cardumes, tubarões, naufrágios e estruturas vulcânicas formam uma paisagem de Fernando de Noronha que muitos visitantes jamais chegam a conhecer.

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