Saldo dos financiamentos para pessoas físicas avançou acima da maioria dos estados nordestinos, enquanto atrasos nos pagamentos atingiram o menor nível da série.
14 de setembro de 2026 às 14:06 - Atualizado às 14:24
A expansão foi a segunda maior do Nordeste em termos percentuais. Foto: Divulgação
O saldo do crédito habitacional para pessoas físicas em Pernambuco alcançou R$ 35,4 bilhões em julho de 2026, maior valor da série histórica do Banco Central. O resultado representa crescimento de 18% em relação aos R$ 30 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
A expansão foi a segunda maior do Nordeste em termos percentuais. Ao mesmo tempo, a inadimplência das operações caiu para 0,94%, também o menor patamar da série.
O montante corresponde ao saldo da carteira de financiamentos, e não apenas aos novos contratos firmados em julho. O avanço indica uma ampliação do crédito destinado à habitação no estado, mesmo em um cenário de juros elevados.
Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, a necessidade de moradia ajuda a explicar a continuidade da procura por financiamento.
“O crédito imobiliário tem uma característica diferente de outras modalidades porque está diretamente ligado a uma necessidade de longo prazo das famílias”, afirma.
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Segundo o especialista, essa demanda permanece mesmo quando os juros encarecem as operações. Ela envolve tanto a compra da primeira moradia quanto a substituição ou a ampliação do imóvel.
Outro indicador acompanha esse movimento. Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança movimentaram R$ 1,7 bilhão em Pernambuco no primeiro semestre de 2026, segundo a Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
O volume representa alta de 15,9% em relação ao mesmo período de 2025. Esse dado mede as operações realizadas no semestre e tem abrangência diferente do saldo da carteira informado pelo Banco Central.
Embora a poupança tenha perdido força como fonte de recursos para o setor, outras formas de captação ajudam a sustentar os financiamentos, de acordo com Figueiredo.
O especialista cita recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) entre os instrumentos utilizados pelo mercado.
Na avaliação de Carlos Feitosa, sócio da Eco Construtora, o financiamento tem papel decisivo na conversão da procura por imóveis em vendas.
“O financiamento transforma a demanda reprimida em venda concreta ao diluir o valor do imóvel em parcelas compatíveis com a renda, permitindo que o cliente que hoje aluga possa se tornar proprietário”, afirma.
O Sicredi informou que sua carteira de crédito imobiliário em Pernambuco cresceu 65% em 12 meses, chegando a R$ 6,3 milhões em julho de 2026.
Segundo a instituição, suas operações permitem financiar até 90% do valor de imóveis residenciais, com prazo de até 35 anos. Os contratos utilizam o Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual as prestações tendem a diminuir ao longo do financiamento.
A instituição também projeta multiplicar por mais de dez sua carteira de crédito imobiliário até 2029. A meta integra uma estratégia de expansão da modalidade e de fortalecimento do relacionamento com os associados.
Para Figueiredo, a duração dos contratos pode favorecer esse vínculo, já que o financiamento habitacional acompanha o planejamento das famílias por muitos anos. A expectativa do Sicredi é ampliar a captação de recursos para sustentar novas concessões.
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