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Condenado por chacina em cinema de SP vai a shopping de Salvador e gera apreensão

Segundo relatos, Mateus da Costa Meira, de 51 anos, costuma circular por cafés, livrarias e até pelas salas de cinema do centro comercial.

09 de julho de 2026 às 17:05   - Atualizado às 18:10

Condenado por chacina em cinema de SP vai a shopping de Salvador e gera apreensão.

Condenado por chacina em cinema de SP vai a shopping de Salvador e gera apreensão. Foto: Reprodução/Redes sociais

Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo massacre ocorrido em um cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, voltou a chamar atenção quase três décadas após o crime. Em liberdade desde 2024 por decisão da Justiça da Bahia, o ex-estudante de Medicina passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador, situação que tem gerado apreensão entre clientes, lojistas e pessoas que o reconhecem.

Segundo relatos publicados pela coluna de Ullisses Campbell, do jornal O Globo, Mateus costuma circular por cafés, livrarias e até pelas salas de cinema do centro comercial, comportamento que levou frequentadores a compartilharem fotos dele em grupos de mensagens.

Condenado por chacina em cinema de SP vai a shopping de Salvador e gera apreensão.

Massacre marcou o país

Mateus foi condenado pelo ataque ocorrido em novembro de 1999, quando entrou armado em uma sala de cinema durante a exibição do filme Clube da Luta, no Morumbi Shopping. Na ocasião, três pessoas morreram e outras nove ficaram feridas.

Durante as investigações, a defesa alegou que ele sofria de transtornos mentais e não teria capacidade de responder criminalmente pelos atos. A tese, porém, foi rejeitada pela Justiça de São Paulo após laudos periciais concluírem que o então estudante compreendia plenamente o caráter criminoso de suas ações.

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Os especialistas destacaram que o ataque foi planejado. Conforme o processo, Mateus adquiriu a arma, providenciou munições, tentou dificultar sua localização e escolheu o shopping justamente por considerar que outros locais possuíam detectores de metal.

Em 2003, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri. No ano seguinte, foi transferido para uma unidade prisional em Salvador.

Nova decisão mudou o rumo do caso

Enquanto cumpria pena na Bahia, Mateus respondeu por uma tentativa de homicídio contra um companheiro de cela. Durante esse processo, uma nova discussão sobre sua saúde mental resultou em uma decisão diferente da adotada em São Paulo.

A Justiça baiana reconheceu sua inimputabilidade nesse episódio e determinou sua internação em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, onde permaneceu por vários anos.

Em 2024, após avaliações médicas e decisão judicial, ele recebeu autorização para deixar a unidade e seguir tratamento em liberdade.

Especialistas contestam a soltura

A decisão continua sendo alvo de críticas de profissionais que acompanharam o caso ao longo dos anos.

A psiquiatra Hilda Morana, responsável por uma das avaliações realizadas em São Paulo, afirmou que Mateus apresenta traços de psicopatia e considera que ele não deveria estar em liberdade. Segundo a médica, ele possui elevada capacidade de manipulação e continua representando risco.

A psiquiatra Grace Adriana Lopes Conceição, que também o acompanhou durante a internação na Bahia, compartilha da mesma avaliação. Para ela, o perigo está relacionado à personalidade antissocial do condenado, marcada pela ausência de empatia e pela capacidade de planejamento.

O Ministério Público da Bahia também recorreu contra a decisão que autorizou a desinternação, mas o ex-estudante permanece em liberdade.

Medo entre frequentadores

A presença frequente de Mateus no Shopping Barra tem causado desconforto entre comerciantes e clientes que conhecem seu histórico.

Segundo relatos publicados por O Globo, alguns frequentadores evitam permanecer próximos ao condenado quando o reconhecem no local. Um ex-advogado que atuou em sua defesa afirmou que decidiu encerrar a relação profissional após a soltura por receio de sua conduta.

Até o momento, não há registro de que Mateus tenha cometido novos crimes desde que deixou a unidade de custódia. Ainda assim, sua presença em um shopping com complexo de cinemas reacendeu o debate sobre os critérios utilizados para avaliar a periculosidade de condenados submetidos a tratamento psiquiátrico.

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