Homenagem reconhece a contribuição do escritor à identidade nordestina e sua ligação com a capital pernambucana.
24 de setembro de 2026 às 15:19 - Atualizado às 15:40
O legado de Ariano Suassuna Foto: Divulgação/Acervo Familiar
Ariano Suassuna foi declarado Patrono da Cultura do Recife por uma lei sancionada nesta quinta-feira, 24 de setembero. A homenagem reconhece a trajetória do escritor e dramaturgo na valorização das tradições populares e na construção da identidade cultural nordestina.
A proposta é de autoria do vereador Rinaldo Junior e havia sido aprovada pela Câmara Municipal em primeira e segunda discussão no dia 15 de setembro. O Projeto de Lei Ordinária nº 262/2026 destacou a relação do autor com a cidade, onde desenvolveu parte importante de sua produção artística e intelectual.
Nascido em 16 de junho de 1927, na atual João Pessoa, na Paraíba, Ariano passou a viver no Recife em 1942. Na capital pernambucana, estudou no Ginásio Pernambucano e no Colégio Osvaldo Cruz antes de ingressar na Faculdade de Direito.
Foi durante a formação universitária que conheceu Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, “Uma Mulher Vestida de Sol”.
A atuação teatral continuou mesmo após a conclusão do curso de Direito. Em 1955, escreveu “Auto da Compadecida”, obra que o projetou nacionalmente e se tornou uma das principais referências de sua carreira.
Ao comentar o reconhecimento, Mariana Suassuna, filha do escritor, destacou a ligação afetiva do pai com a cidade. “Defendia a cultura do Brasil, de Pernambuco e do Recife com muito amor”, afirmou.
Em 1956, Ariano deixou a advocacia para ensinar Estética na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Sua atuação na instituição também abriu espaço para iniciativas voltadas à pesquisa e à valorização das expressões populares.
Uma delas foi o Movimento Armorial, lançado no Recife em 18 de outubro de 1970. A iniciativa aproximou a produção erudita das tradições nordestinas, articulando música, literatura e artes visuais.
Além do teatro, Ariano se dedicou à prosa e publicou, em 1971, o “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”. O escritor morreu no Recife em 23 de julho de 2014, aos 87 anos.
O título municipal se soma a uma homenagem anterior. Desde 2020, Ariano Suassuna também é reconhecido como Patrono da Cultura do Estado de Pernambuco. A nova lei formaliza sua condição de referência cultural na cidade que acolheu sua trajetória desde a juventude. A decisão na capital foi assinada pelo prefeito Victor Marques.
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