"Formatamos nossos sofrimentos. Há quase uma unanimidade entre os cientistas de que nada enxergamos, mas sim que as imagens são formatadas dentro do cérebro", diz colunista.
O sofrimento é criado pela mente. Foto: Reprodução/IA
Formatamos nossos sofrimentos. Há quase uma unanimidade entre os cientistas de que nada enxergamos, mas sim que as imagens são formatadas dentro do cérebro. Partindo desse princípio e navegando no provérbio “o que os olhos não veem o coração não sente” - ou seja, há sofrimento quando se tem conhecimento -, reforçamos nossa afirmação de que o sofrimento é uma arapuca ou cilada do inconsciente, um gatilho.
Assim como um “gato escaldado que tem medo de água fria”. Sendo assim, o sofrimento é um “mi, mi, mi”, pois a realidade criada pela mente é uma ilusão, todas as pessoas têm uma espécie de ilusão diferente.
Nunca ouvi falar que a formiga que está saindo do formigueiro sofre por isso. Nem que as abelhas operárias sofrem porque não conseguiram o impeachment da abelha-rainha, ou que os peixes resolveram não produzir visto que não estão gostando da forma que fazem sexo.
Imaginem o boi e vaca, passaram a noite inteira sem dormir, pois estavam nervosos porque iriam ser abatidos no matadouro ao amanhecer. E a preocupação com a guerra dos mosquitos, que estavam incomodados com os repelentes usados pelos humanos, deixando-os depressivos.
Essas metáforas também podem ser inerentes aos humanos, pois criaram o sofrimento. Esse foi patenteado pela raça humana, inclusive desenvolveram técnicas para implantar nos animais domésticos.
Freud foi na sua busca para reduzir o sofrimento humano, tentou se virar pelo avesso, colocou "lentes" dentro de si. Enxergou além das lentes e dos olhos humanos quando idealizou o aparelho psíquico que engloba a alma humana. Descobriu as "feridas psíquicas”, os impulsos humanos, percebeu as pulsões, as libidos e as frustrações humanas.
Essa "falta", essa lacuna, desenvolveu como sofrimento. A mente humana, que segundo Freud não é dona da sua própria casa, resolveu se "prostituir”, pois decidiu fazer abstração e "não se contentar com qualquer biscoito”. O cérebro humano passou a ser morada de vários "amantes". A infidelidade passou a ser um atributo humano que sofre com os pensamentos variados e goza com a imaginação livre.
Sofrer pelo abandono quando somos gerados, na maioria das vezes, sozinhos no útero materno ou sofrer quando se perde um emprego. O luto tem sido mal elaborado pela raça humana e, nesse viés, o sofrimento humano passa por alguns estágios ou caminhadas.
Entre eles a gestação e o movimento exterior que influencia na formação do cérebro; se esse ambiente for conturbado, se estabelece um caminho para o caos, para o sofrimento. Após o útero despejar esse inquilino, aparece quase sempre uma dupla que cuida e impõe regras: a mãe e o pai. Daí em diante vem a civilização com seu mal-estar.
A assimilação do caos é mais compactada pelo receptor do que a bonança. A sociedade moderna criou o sofrimento e buscou alívio na invenção de religiões, onde serve de prótese para que esse possa descartar a sua culpa e seus "pecados”.
Por Edinazio Vieira
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"Que o Deus Criador de todas as coisas tenha misericórdia de nós", escreveu o colunista.
"Nesse momento, a criança passa a conviver com pessoas desconhecidas que a castigam no cumprimento de velhas e novas regras.", escreveu o colunista
"Em pleno século XXI, escândalos sexuais já derrubaram reis, príncipes e governantes, expondo a fragilidade do poder diante dessas pulsões", escreveu o colunista.
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