Colunista Edinázio Vieira Arte: Portal de Prefeitura
As pessoas precisam elaborar o luto, contudo, muitos acham que luto é apenas a perda de mães, filhos e familiares. O luto ocorre com a ausência de um objeto, seja ele concreto ou abstrato.
Na obra que deve ser lançada no próximo ano, A mente é o centro de tudo, faço uma exposição das emoções, da falta de informação sobre o tema e da preocupação que essa ausência trouxe com a modernidade, causando diversos transtornos triangular: sentimento, emoções e o luto, esse é um caminho complexo, pois as lentes que capturam as imagens são cegas para perceber os conteúdos psíquicos.
Nascemos chorando por algumas faltas: a alimentação, o oxigênio, a transição, a expulsão do paraíso (útero materno). Os bebês são cuidados, pois, sem a atenção devida, eles não sobrevivem.
Daí em diante à substituição da frase intrauterino, pelo acolhimento materno substituindo a falta, contudo, a família não supre completamente as necessidades que o útero oferecia em vários aspectos, e a demora para a alimentação causa o choro e a raiva no bebê. Quem nunca viu uma criança roxa de tanto chorar?
A perda do vínculo, a retirada, a falta, a não satisfação geram crateras, lacunas difíceis de serem preenchidas na vida da criança, que se tornam meninos, meninas, adolescentes e, por fim, adultos carentes ou seja, enlutados.
Uma pessoa enlutada, sem elaborar seu luto, carregando pendências e pedaços de "faltas", é um ser perturbado. Podemos dizer que existem graus desse "ferimento psíquico".
O enlutado reduz a libido do objeto amado e caso não haja elaboração, essa falta pode se ampliar para outras áreas da vida.
Se o trabalho de luto não for concluído, poderá haver um processo alucinatório. Estamos numa encruzilhada entre o mundo real, que nos atormenta e o fictício, o mundo virtual, que é delicioso e causa dependência o mundo virtual é a "maconha" do século XXI, conseguindo roubar o lugar da religião.
Os hábitos foram mudados e o aparelho celular invadiu os templos de todas as religiões, conectando todos em um "novo mundo" não no mundo de Deus do Criador dos anjos, mas no mundo virtual, que faz os olhos brilharem e o cérebro se dopar por meio deles.
Aquilo que a religião oferecia o prazer e a riqueza após a morte apenas por meio da leitura e imaginação, os deuses desse século oferecem de maneira imediata: vida eterna, riqueza e luxo para se ver e o cérebro ter prazer.
Houve uma transição, um escape, uma fuga, uma debandada para o mundo virtual. Nesse mundo tudo pode a imaginação se torna real, o que não ocorria no mundo especulativo da religião.
Nesse contexto, as emoções estão sendo alteradas e a netologia (ciência das redes) não pode ser subestimada. Apesar de sua presença, ainda não há métricas para avaliar os estragos dessa nova "maconha" do século.
Poderíamos dizer que esse mundo causa uma dependência "química", é tão forte quanto qualquer opioide natural ou daqueles fabricados em laboratórios.
Os efeitos estão produzindo surtos em cada esquina, sendo confundidos com maconha, cocaína, LSD e outras drogas que provocam alucinações diárias.
Estamos assistindo de nossos camarotes (casa), consumindo todo esse lixo psíquico e olhando para o lado, vendo pessoas desequilibradas, bêbadas, viciadas, sem perceber quem "adotou" nossos filhos, quem entrou em nossas casas, quem viciou e contaminou nossa alma.
O luto não elaborado impulsiona as pessoas, todos os dias a correrem atrás do nada, para suprir uma cratera psíquica que se iniciou na separação intrauterina.
Quero voltar para o útero!
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05:54, 13 Fev
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Quando um homem agride, ameaça ou mata uma mulher, ele não age por ignorância, mas por convicção de que poderá recuperar sua liberdade em pouco tempo.
São os guerreiros das timelines, os soldados das notificações, os defensores da causa invisível.
"O fuxiqueiro sai da depressão e estimula a dopamina, mas isso deixa esse militante ansioso, pois fica com a "língua coçando" para contar e falar da vida do outro", diz colunista.
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