A imprensa, quando deveria atuar como guardiã da verdade, acaba em diversos momentos assumindo a função de arquiteta de versões convenientes. Foto: Divulgação/ IA
Em tempos de polarização política, poucas armas se mostram tão eficazes e perigosas quanto o poder das narrativas. Não são apenas fatos que moldam a opinião pública, mas sim as histórias contadas em torno deles. E nesse campo, a imprensa exerce um papel central — muitas vezes se tornando não apenas a mediadora da realidade, mas também sua criadora.
A imprensa, quando deveria atuar como guardiã da verdade, acaba em diversos momentos assumindo a função de arquiteta de versões convenientes. Pequenos recortes, manchetes sugestivas e omissões estratégicas transformam informações incompletas em “verdades absolutas”. O que não é dito pesa tanto quanto o que é publicado.
A repetição constante de determinadas narrativas, mesmo que frágeis ou mal sustentadas por provas, faz com que parte da sociedade passe a aceitá-las sem questionamento. A mentira, quando suficientemente propagada, ganha ares de consenso social.
Em disputas de poder, controlar a narrativa é tão importante quanto conquistar votos. A imprensa, intencionalmente ou não, pode se tornar uma aliada de projetos ideológicos. Ao escolher quais fatos ganharão destaque e quais serão silenciados, ela influencia diretamente a percepção coletiva sobre líderes, partidos e movimentos sociais.
Assim, um político pode ser “santificado” pela imprensa ou condenado ao descrédito antes mesmo de um julgamento justo. A opinião pública passa a se mover não por fatos, mas por percepções moldadas.
A construção de verdades artificiais compromete a própria essência da democracia, que deveria se basear no acesso plural e transparente à informação. Quando a imprensa se torna agente de manipulação, a sociedade perde sua capacidade crítica e se torna vulnerável ao espetáculo midiático.
Esse processo gera uma cultura de desconfiança generalizada, onde todos são inimigos em potencial e a busca pela verdade se torna secundária frente ao desejo de vencer narrativamente.
Não se trata de negar o papel vital da imprensa, mas de reconhecer que ela, como qualquer instituição humana, não é neutra. O antídoto contra o poder corrosivo das narrativas é o discernimento do público e o acesso a múltiplas fontes de informação. Somente confrontando versões distintas é possível se aproximar de algo mais próximo da realidade.
No fim, a lição é clara: a mentira só se torna “verdade absoluta” quando deixamos de questionar. A sociedade precisa recuperar sua capacidade crítica e resistir à tentação de aceitar como definitivo aquilo que, muitas vezes, é apenas uma construção conveniente.
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Quando um homem agride, ameaça ou mata uma mulher, ele não age por ignorância, mas por convicção de que poderá recuperar sua liberdade em pouco tempo.
São os guerreiros das timelines, os soldados das notificações, os defensores da causa invisível.
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