O Náutico já foi referência em atrair, formar e manter jogadores que construíram suas histórias nos Aflitos não apenas com títulos, mas com identidade.
Idolos do Passado no Nautico Foto Montagem/Portal de Prefeitura/IA
Nos últimos anos, o torcedor do Náutico tem convivido com uma realidade amarga: seu clube, que já foi um dos grandes centros formadores e projetores de talentos do Nordeste, se tornou apenas mais uma parada temporária na carreira de muitos jogadores. O Náutico deixou de ser aquele clube de destino, que acolhia atletas com ambição e os transformava em ídolos — e passou a ser visto como clube de passagem, onde o vínculo é frágil, a memória curta e a identificação quase nula.
Hoje, é comum ver atletas deixarem o clube ainda durante o campeonato, negociados com equipes de menor expressão. Não porque o Náutico seja um trampolim irresistível, mas porque falta projeto, estabilidade e um senso de pertencimento. Jogadores não ficam onde não se sentem parte de algo maior. E no atual cenário, poucos conseguem enxergar no Náutico algo além de uma oportunidade momentânea.
É impossível entender a crise atual sem olhar para o passado. O Náutico já foi referência em atrair, formar e manter jogadores que construíram suas histórias nos Aflitos — não apenas com títulos, mas com identidade.
Salomão Sales Couto, o cérebro do meio-campo nos anos 60, foi peça fundamental no início da era do hexacampeonato (1963 a 1968). Volante técnico e líder, teve duas passagens pelo clube e foi eternizado na seleção histórica alvirrubra.
Baiano, zagueiro clássico e disciplinado, também brilhou nesse mesmo período. Era símbolo de elegância na defesa, contribuindo diretamente para uma das fases mais vencedoras do clube.
No ataque, o inigualável Bita, maior artilheiro da história do Náutico com 223 gols. Artilheiro do Pernambucano por cinco vezes, Bita encarnava o que significa ser um jogador identificado com o clube — sua imagem está até hoje ligada à alma do Timbu.
Mais adiante, Jorge Mendonça apareceu como estrela em ascensão nos anos 70. Mesmo com uma passagem breve, fez história ao marcar oito gols em uma única partida e encantar o torcedor. Era um tempo em que quem vestia a camisa alvirrubra queria deixá-la marcada na história.
Falta projeto esportivo de médio e longo prazo, falta gestão estratégica do futebol, falta um trabalho forte na base para revelar talentos que já nasçam com a alma alvirrubra.
Hoje, o clube contrata em volume, mas sem critério técnico ou de perfil, resultando em elencos sem liga com a torcida. A cada temporada, uma nova leva de nomes — e a cada final de ano, um novo esquecimento coletivo. Nenhuma história é contada. Nenhum ídolo é construído.
É injusto responsabilizar os jogadores. Profissionais querem permanecer onde há estrutura, valorização e perspectiva. O que o Náutico oferece hoje, na maioria das vezes, é instabilidade, troca constante de treinadores e promessas que não se sustentam. O reflexo disso se vê dentro de campo — e na arquibancada, onde a paixão resiste, mas a esperança oscila.
O Náutico precisa mais do que vitórias: precisa reencontrar sua alma. Isso passa por investir em categorias de base, por ter um projeto esportivo profissional, por resgatar a relação entre clube, elenco e torcida.
A identidade alvirrubra não foi apagada — ela está adormecida. E enquanto o clube seguir sendo apenas uma vitrine momentânea, continuará preso ao ciclo de promessas não cumpridas e frustrações previsíveis.
Resgatar a cultura de pertencimento, continuidade e paixão é urgente. Porque o Náutico já foi clube de destino para quem queria fazer história — e pode ser novamente.
Por: Amisadai Andrade
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14:21, 13 Fev
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