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Artigo: Jesus era comunista?

A tentativa de associar os ensinamentos de Cristo ao comunismo é um erro histórico, teológico e político e ignora o verdadeiro sentido do Evangelho.

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23 de abril de 2025 às 15:47   - Atualizado às 16:16

O Messias e seus discípulos: trama sobre a Bíblia é vista por mais de 500 milhões de espectadores 

O Messias e seus discípulos: trama sobre a Bíblia é vista por mais de 500 milhões de espectadores  Foto: Divulgação.

Em tempos de polarização ideológica, é comum ver discursos tentando apropriar-se de símbolos religiosos para justificar visões políticas. Um dos exemplos mais recorrentes — e polêmicos — é a ideia de que “Jesus era comunista”. Mas será que essa afirmação faz sentido? A resposta direta e fundamentada é: não, Jesus não era comunista.

Anacronismo histórico

A primeira falha nessa comparação é histórica. O comunismo, como ideologia política e econômica, surgiu no século XIX com Karl Marx e Friedrich Engels, muito depois do tempo de Jesus. Tentar encaixar ideias modernas em um contexto do primeiro século é anacrônico e distorce a realidade dos fatos. Jesus viveu sob o Império Romano, uma estrutura totalmente distinta das categorias políticas contemporâneas.

A caridade cristã não é comunismo

Frequentemente, os defensores dessa ideia apontam para passagens bíblicas sobre partilha, caridade e cuidado com os pobres. Mas vale lembrar: caridade não nasceu com o comunismo — e muito menos foi praticada por ele. Ao longo da história, a Igreja foi — e continua sendo — a maior instituição de caridade do mundo. Hospitais, escolas, orfanatos, asilos: tudo isso nasceu do compromisso cristão com o próximo, não de um sistema político.

Só na África, por exemplo, a atuação da Igreja representa cerca de 40% a 50% da assistência de saúde pública. Isso é fruto da fé, não de um plano de redistribuição estatal.

Evangelho não é luta de classes

Outro ponto importante é que transformar o Evangelho em uma mensagem de luta de classes é ignorar sua essência espiritual. Sim, Jesus disse que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” — mas o foco está no apego à riqueza, não na riqueza em si. A Bíblia apresenta vários exemplos de pessoas ricas que foram justas e fiéis, como Abraão, Jó e Salomão.

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Quando Jesus fala de “libertar os oprimidos”, como está no Evangelho de Lucas, Ele se refere à libertação espiritual: do pecado, da culpa, da morte. Não a uma revolução política.

Comunismo persegue a fé — não a promove

É importante lembrar também o que ocorreu nos países onde o comunismo foi implantado: perseguição religiosa, destruição de igrejas, prisão de padres, silenciamento da fé. Basta olhar a história da União Soviética, da China, de Cuba. Tudo isso vai na contramão do que Jesus pregou: liberdade, verdade e amor.

Jesus nunca defendeu que o Estado devesse confiscar bens para redistribuí-los. O que Ele ensinou foi o ato voluntário da caridade, movido por fé e compaixão. Os primeiros cristãos que viviam em comunidade o faziam por decisão própria, não por imposição de um sistema.

Jesus não é símbolo de ideologia — Ele é o Salvador

A mensagem central de Cristo não está na revolução, mas na conversão. Sua missão era transformar corações, não regimes políticos. Usar o nome de Jesus para justificar qualquer ideologia, seja ela de esquerda ou de direita, é reduzir sua mensagem e manipular a fé para fins partidários.

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