O Messias e seus discípulos: trama sobre a Bíblia é vista por mais de 500 milhões de espectadores Foto: Divulgação.
Em tempos de polarização ideológica, é comum ver discursos tentando apropriar-se de símbolos religiosos para justificar visões políticas. Um dos exemplos mais recorrentes — e polêmicos — é a ideia de que “Jesus era comunista”. Mas será que essa afirmação faz sentido? A resposta direta e fundamentada é: não, Jesus não era comunista.
A primeira falha nessa comparação é histórica. O comunismo, como ideologia política e econômica, surgiu no século XIX com Karl Marx e Friedrich Engels, muito depois do tempo de Jesus. Tentar encaixar ideias modernas em um contexto do primeiro século é anacrônico e distorce a realidade dos fatos. Jesus viveu sob o Império Romano, uma estrutura totalmente distinta das categorias políticas contemporâneas.
Frequentemente, os defensores dessa ideia apontam para passagens bíblicas sobre partilha, caridade e cuidado com os pobres. Mas vale lembrar: caridade não nasceu com o comunismo — e muito menos foi praticada por ele. Ao longo da história, a Igreja foi — e continua sendo — a maior instituição de caridade do mundo. Hospitais, escolas, orfanatos, asilos: tudo isso nasceu do compromisso cristão com o próximo, não de um sistema político.
Só na África, por exemplo, a atuação da Igreja representa cerca de 40% a 50% da assistência de saúde pública. Isso é fruto da fé, não de um plano de redistribuição estatal.
Outro ponto importante é que transformar o Evangelho em uma mensagem de luta de classes é ignorar sua essência espiritual. Sim, Jesus disse que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” — mas o foco está no apego à riqueza, não na riqueza em si. A Bíblia apresenta vários exemplos de pessoas ricas que foram justas e fiéis, como Abraão, Jó e Salomão.
Quando Jesus fala de “libertar os oprimidos”, como está no Evangelho de Lucas, Ele se refere à libertação espiritual: do pecado, da culpa, da morte. Não a uma revolução política.
É importante lembrar também o que ocorreu nos países onde o comunismo foi implantado: perseguição religiosa, destruição de igrejas, prisão de padres, silenciamento da fé. Basta olhar a história da União Soviética, da China, de Cuba. Tudo isso vai na contramão do que Jesus pregou: liberdade, verdade e amor.
Jesus nunca defendeu que o Estado devesse confiscar bens para redistribuí-los. O que Ele ensinou foi o ato voluntário da caridade, movido por fé e compaixão. Os primeiros cristãos que viviam em comunidade o faziam por decisão própria, não por imposição de um sistema.
A mensagem central de Cristo não está na revolução, mas na conversão. Sua missão era transformar corações, não regimes políticos. Usar o nome de Jesus para justificar qualquer ideologia, seja ela de esquerda ou de direita, é reduzir sua mensagem e manipular a fé para fins partidários.
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Quando um homem agride, ameaça ou mata uma mulher, ele não age por ignorância, mas por convicção de que poderá recuperar sua liberdade em pouco tempo.
São os guerreiros das timelines, os soldados das notificações, os defensores da causa invisível.
Enquanto ideologias se enfrentam, o povo segue esperando por algo muito mais básico, serviços públicos dignos, eficientes e acessíveis.
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