Wagner Moura chama esquerda identitária de facista em entrevista ao Pedro Bial Foto: Reprodução
A polarização política e os rumos do debate público contemporâneo ganharam novos contornos na última semana. Durante entrevista ao programa Conversa com Bial, da Rede Globo, exibida no dia 4 de agosto, o ator e diretor Wagner Moura abriu o coração sobre o desgaste gerado pelas trincheiras ideológicas atuais.
Gravada em Atenas, na Grécia, onde o artista cumpria agenda de divulgação de sua peça Julgamento – Depois do Inimigo do Povo —, a conversa abordou desde a desconexão de parte da esquerda com a realidade popular até o conceito de que o identitarismo rígido estaria caminhando para uma forma de cerceamento conceitual.
Ao longo do bate-papo com o jornalista Pedro Bial, Moura pontuou que a maior ameaça à democracia reside na corrosão da verdade factual. Segundo o artista, o cenário político atual distanciou os cidadãos da base comum da realidade, substituindo dados objetivos por narrativas polarizadas e versões parciais.
"A tolerância é um pilar da democracia. O que para mim é assustador é que a gente não está vendo mais a realidade da mesma forma. Eu lembro de uma época em que a esquerda, a direita, a gente brigava, discutia, mas a gente estava vendo o mesmo fato. Hoje os fatos não importam mais", desabafou o ator.
Conhecido por posicionamentos políticos firmes que frequentemente geram debates acalorados nas redes sociais, Wagner Moura confessou sentir o cansaço do linchamento virtual.
O ator, que já enfrentou fortes críticas de setores conservadores devido às suas posições em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou que o ódio disseminado na internet cobra um preço emocional alto, mas garantiu que não pretende se calar.
"É clichê, mas é verdade, que no final o que importa é o amor, é o afeto, é o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas... E eu vou ficando cansado. Eu já tô cansado de ser odiado por uma galera. Eu vou morrer dizendo as coisas que eu acho", afirmou.
Apesar do tom de desabafo, o artista fez questão de ressaltar a importância de construir pontes com o campo político oposto. Para ele, discussões tradicionais sobre a máquina pública, como o tamanho do Estado, a eficiência tributária e a destinação de impostos para a seguridade social, educação e cultura, são legítimas e cruciais para o avanço do país, carecendo de um debate maduro entre liberais e progressistas.
Contudo, o ponto alto da entrevista ocorreu quando a conversa girou em torno do cerceamento de pautas sociais e da atuação do que definiu como uma ala sectária. Ao debater a tentativa de limitar quem tem o direito de falar sobre determinados temas com base em recortes identitários, Pedro Bial observou que o fenômeno tem encontrado eco em parcelas da própria esquerda.
Diante da constatação, Wagner Moura foi direto ao definir o comportamento: "Fascismo de esquerda", cravou, sinalizando que a imposição de barreiras ao discurso e à solidariedade transversal compromete a essência do humanismo e da convivência democrática.
#vídeo Wagner Moura critica identitarismo: "fascismo de esquerda"
— Poder360 (@Poder360) August 6, 2026
O ator Wagner Moura criticou a política identitária, que organiza reivindicações com base na identidade de determinados grupos. Ele questionou discussões sobre o que pode ou não ser debatido. A declaração foi… pic.twitter.com/18JuwCLHX4
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