Vacina para combater dependência contra cocaína e crack avança e prevê testes em humanos. Foto: CCS/Faculdade de Medicina da UFMG
A vacina Calixcoca, criada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para combater a dependência de cocaína e crack, avançou para uma nova etapa de estudos após apresentar resultados positivos na fase pré-clínica. Os testes realizados em camundongos demonstraram produção de anticorpos contra a droga e indicaram melhora na saúde dos filhotes de animais expostos à substância.
Os pesquisadores observaram que a vacina estimulou o organismo a produzir anticorpos capazes de se ligar à cocaína na corrente sanguínea. Esse mecanismo impede que a droga chegue ao cérebro e bloqueie seus efeitos. A estratégia busca reduzir o impacto da substância no organismo e auxiliar no tratamento da dependência química.
Durante os estudos com animais, a equipe identificou outro dado relevante. Os testes apontaram redução de abortos espontâneos em ratas que tiveram contato com a droga. Segundo o secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Bacheretti, os filhotes nasceram em melhores condições de saúde e apresentaram maior resistência, mesmo quando houve exposição à cocaína e ao crack.
Ele destacou que a dependência química durante a gestação preocupa as autoridades de saúde. O uso dessas drogas por gestantes costuma aumentar o número de partos prematuros e de bebês que já nascem com efeitos da substância no organismo. Os dados observados nos testes com animais reforçam a importância de aprofundar a pesquisa.
A nova fase do projeto inclui ensaios clínicos que devem se estender por até quatro anos. O pró-reitor de Pesquisa da UFMG, Fernando Reis, explicou que o cronograma prevê a continuidade da verificação da eficácia da vacina em ambiente controlado antes da aplicação em humanos. Ele informou que a expectativa é iniciar os testes clínicos entre o terceiro e o quarto ano do projeto.
O Governo de Minas Gerais já destinou R$ 18,8 milhões para o desenvolvimento da vacina. O projeto também conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, que deve participar de novos aportes até 2027. Os recursos garantem a continuidade das pesquisas e a estrutura necessária para os próximos passos.
A Calixcoca apresenta uma proposta diferente de outras vacinas já testadas em outros países. Em vez de agir diretamente no cérebro, ela atua no sangue. Ao produzir anticorpos específicos, o organismo impede que a cocaína alcance o sistema nervoso central. Essa barreira reduz os efeitos de euforia e recompensa que reforçam o ciclo da dependência.
O projeto já recebeu reconhecimento nacional e internacional. A pesquisa conquistou o Prêmio Euro Inovação na Saúde e também o Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica. As premiações destacaram o potencial da vacina como alternativa no enfrentamento da dependência química.
A equipe da UFMG mantém o foco na segurança e na eficácia da vacina antes de ampliar o uso para humanos. Os pesquisadores seguem protocolos científicos para garantir resultados confiáveis. A nova etapa marca um avanço importante no desenvolvimento da Calixcoca e amplia as expectativas em torno de uma possível ferramenta adicional no tratamento da dependência de cocaína e crack.
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Nenhum apostador acertou as seis dezenas, e o prêmio principal acumulou, chegando a R$ 116 milhões para o próximo sorteio.
O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 690,01.
Imunizante desenvolvido pela UFMG entra na fase clínica e pode se tornar o primeiro do mundo voltado ao tratamento da dependência química.
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