25 de março de 2024 às 14:03
Um professor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) foi afastado na semana passada após alunos da universidade denunciarem um suposto caso de assédio moral.
O episódio teria ocorrido durante uma aula de Geologia Geral para o primeiro ano de bacharelado do curso.
O docente Joel Barbujiani Sigolo teria chamado uma estudante até a frente da sala de aula para receber um "prêmio de pior aluno" da turma e utilizado termos "jocosos" para se referir a ela.
De acordo com uma nota de repúdio divulgada pelo Centro Acadêmico do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, o professor decidiu premiar, com livros de sua autoria sobre geologia, os dois alunos da turma que tiveram o melhor desempenho em sua disciplina.
Em seguida, chamou uma aluna que teve baixo desempenho para ir até a frente da sala e receber o "prêmio de pior aluno", que seria um livro de poesias, também de autoria do professor.
Após a estudante se negar repetidas vezes a levantar e receber o prêmio, o professor teria utilizado termos "jocosos" para se referir a ela e lido um trecho do livro em voz alta.
De acordo com o centro acadêmico, a aluna em questão precisou se ausentar de atividades acadêmicas por problemas de saúde, o que acabou impactando a sua nota. Os estudantes argumentam que a atitude do professor feriu o código de ética da universidade.
Em nota, a diretoria do Instituto de Geociências da USP disse:
"Foi com consternação e pesar que recebemos uma nota de repúdio redigida por alunos do IGc e de outros institutos do baixo Matão A nota dá ciência de grave ocorrido em sala durante uma das aulas do primeiro ano do Bacharelado em Geologia. Os fatos narrados são tristes, desrespeitosos e aviltantes e não coadunam, de maneira alguma, com a filosofia da gestão recém-iniciada".
"Esclarecemos que o docente envolvido está aposentado, porém ativo via adesão ao quadro permissionário previsto no estatuto da USP. Ressaltamos que o docente será afastado de todas as atividades em sala de aula até que a situação seja melhor averiguada. Se confirmados os fatos, serão adotadas as sanções cabíveis ao caso à luz do que preconiza a jurisprudência universitária", afirmou o Instituto.
A reportagem encontrou em contato com o professor pedindo o seu posicionamento sobre o caso, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.
Estadão Conteúdo
18:26, 22 Set
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