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Jornalista Ayres Rocha, que apresentou telejornal no Acre por 30 anos, morre aos 62 anos

Ayres fazia tratamento contra um câncer em João Pessoa, na Paraíba, e havia retornado à capital acreana cerca de um mês antes da morte.

14 de outubro de 2026 às 11:48   - Atualizado às 11:53

Jornalista Ayres Rocha, que apresentou telejornal no Acre por 30 anos, morre aos 62 anos.

Jornalista Ayres Rocha, que apresentou telejornal no Acre por 30 anos, morre aos 62 anos. Foto: Reprodução/g1 AC

O jornalista e apresentador Ayres Rocha morreu aos 62 anos nesta quarta-feira, 14 de outubro, em Rio Branco, no Acre. Um dos nomes mais conhecidos da televisão acreana, ele apresentou o Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), da Rede Amazônica, por cerca de 30 anos e marcou gerações de telespectadores com seu estilo sereno de conduzir as notícias.

Ayres fazia tratamento contra um câncer em João Pessoa, na Paraíba, e havia retornado à capital acreana cerca de um mês antes da morte. Segundo a irmã dele, Elaina Rocha, em entrevista ao g1 e à Rede Amazônica, a decisão foi motivada pelo desejo de ficar perto da família e da cidade onde construiu sua história.

“Ele veio para cá porque ama a cidade dele, porque ele queria ficar perto da gente”, contou Elaina.

O velório está previsto para esta quarta-feira (14), a partir das 10h, na capela da Funerária São João Batista, localizada na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco.

Em relato emocionado, a irmã destacou que Ayres passou os últimos dias cercado pelos familiares. Segundo ela, até a noite anterior à morte, quando estava no hospital, o jornalista ainda brincava e fazia piadas por meio de gestos.

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“Ele estava tão sereno ontem, tão bonito, tão feliz. [...] Ele estava feliz porque estava vendo todo mundo lá, a família dele do lado dele”, lembrou.

Elaina também ressaltou o carinho recebido pelo irmão de familiares, amigos e colegas de profissão, especialmente daqueles com quem trabalhou na Rede Amazônica ao longo de décadas.

Como começou a trajetória de Ayres Rocha no jornalismo

José Ayres de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Caçula de uma família com nove filhos biológicos e duas filhas adotivas, ele passou a infância em uma casa na Rua Silvestre Coelho, no bairro Bosque.

A entrada no jornalismo aconteceu em 1989, quase por acaso. Na época, Ayres trabalhava como bancário durante a manhã e procurava uma segunda ocupação para preencher as tardes. A oportunidade surgiu na então TV Acre, onde passou meses acompanhando a rotina da redação antes de receber um convite para substituir um apresentador de um programa esportivo.

Apesar do receio inicial de ficar diante das câmeras, aceitou o desafio. A experiência abriu caminho para uma carreira que acompanharia as transformações do telejornalismo no estado.

Ao longo dos anos, apresentou diferentes telejornais da emissora, nas edições da manhã e da tarde, até assumir a bancada do Jornal do Acre 2ª Edição. Estreado em 1995, o JAC2 se tornou uma referência da programação local, com Ayres à frente do noticiário por aproximadamente três décadas.

Conhecido como “professor” pelos colegas de redação, o jornalista construiu uma identidade marcada pela voz característica, pela seriedade e pela tranquilidade ao apresentar as notícias. Durante anos, de segunda-feira a sábado, sua presença fez parte da rotina de famílias acreanas.

Participação no Jornal Nacional e homenagens

Um dos momentos de destaque da carreira ocorreu em 2019, quando Ayres representou o Acre em uma edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional, da TV Globo. Na ocasião, dividiu a bancada com a jornalista Jéssica Senra, apresentadora do Bahia Meio-Dia.

A participação levou o trabalho desenvolvido pelo apresentador no Acre a uma audiência nacional e marcou sua trajetória profissional.

Ao longo de mais de 30 anos de carreira, Ayres acompanhou acontecimentos importantes para o estado e ajudou a informar a população por meio do telejornalismo. Sua atuação também contribuiu para consolidar o vínculo entre o JAC2 e os telespectadores acreanos.

A morte do jornalista foi lamentada pela governadora do Acre, Mailza Assis, que divulgou uma nota de pesar. No comunicado, ela destacou a contribuição de Ayres para a comunicação estadual e a relação construída com o público.

“Sua trajetória é parte da história da comunicação acreana. Com profissionalismo, dedicação e respeito ao público, conquistou a admiração de gerações e se tornou uma das figuras mais conhecidas e queridas da nossa televisão”, diz um trecho da nota.

A governadora também manifestou solidariedade à esposa do jornalista, Waldenira, aos filhos Marcelo, Álvaro Neto e Luiza, aos netos, além dos demais familiares, amigos e colegas de profissão.

Na mensagem, Mailza ressaltou que Ayres não era visto apenas como apresentador ou jornalista, mas também como alguém próximo da população. A morte encerra uma trajetória de décadas dedicada ao jornalismo e deixa uma lacuna na televisão acreana.

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