Jandira Feghali e Claúdio Castro. Arte: Portal de Prefeitura
Em dicurso na Câmara dos Deputados, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) fez críticas à atuação do Governo do Estado do Rio de Janeiro na megaoperação contra o tráfico realizada na terça-feira, 28 de outubro. (Veja vídeo abaixo)
“É muito triste ver parlamentares eleitos mentindo dentro dos parlamentos e se utilizando da guerra cultural num momento de tanta dor e de tanta dificuldade que vive a população do Rio de Janeiro. Obviamente, a responsabilidade maior por tudo isso é do Governo do Estado, até porque nenhum crime se estabelece e ocupa território se o Estado age", afirmou a deputada.
Veja vídeo:
Jandira classificou a operação como uma 'chacina continuada' e que o estado tem histórico de ações semelhantes.
"Nós estamos vivendo a maior chacina, e uma chacina continuada. Não é a primeira no Rio de Janeiro, nós já acompanhamos muitas, mas é a maior chacina do país, não a maior chacina do Rio de Janeiro.
Jandira responsabilizou o governo estadual pela crise na segurança pública, argumentando que “nenhum crime se estabelece e ocupa território se o Estado age”. Segundo a deputada, o Rio enfrenta “a maior chacina do país”, com pelo menos 134 mortes já registradas.
"A população fica em polvorosa. O IML do Rio de Janeiro tem apenas dez vagas, não há acolhimento das famílias, há desespero. E querer jogar a responsabilidade para o Governo Federal é má-fé, porque não houve nenhum pedido do Governo do Estado que o Governo Federal não atendesse".
Por fim, a parlamentar afirmou que o governador 'tem que ser investigado na sua ação'.
"Então, o Cláudio Castro tem que ser investigado na sua ação, na sua política de segurança, e vai ter que responder pelo que está acontecendo.”
Felipe Curi, o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), atualizou o número de mortos nesta quarta-feira, 29 de outubro, após a megaoperação nos complexos da Penha e Alemão. De acordo com o delegado, 119 pessoas morreram, sendo quatro policiais e 115 suspeitos. A ação também resultou em 113 prisões e na apreensão de 10 adolescentes.
Durante a operação, as forças de segurança apreenderam 118 armas, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver, além de 14 artefatos explosivos. Curi informou que os 115 mortos foram classificados como “opositores”, em referência a tentativas de homicídio contra os agentes.
O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, explicou que uma das estratégias adotadas foi a criação de um “muro do Bope”, referência à atuação do Batalhão de Operações Especiais na área de mata da Serra da Misericórdia, localizada entre os dois complexos. Segundo ele, o objetivo era conter o avanço dos suspeitos e evitar confrontos em áreas habitadas.
“Incluímos a incursão de tropas do Bope para a parte mais alta da mata da Misericórdia, criando um muro do Bope, fazendo com que os marginais fossem empurrados para a área mais alta. Nosso objetivo principal era proteger as pessoas de bem da comunidade”, afirmou Menezes.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, declarou que a estratégia de deslocar os confrontos para a área de mata visava preservar vidas inocentes, mas admitiu que a alta letalidade era “previsível, embora não desejada”.
“Optamos por deslocar o contato com os criminosos para a área de mata, onde eles se escondem e atacam os policiais. Tivemos um dano colateral pequeno: quatro pessoas inocentes feridas, sem gravidade”, disse o secretário.
A Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (28), é considerada a mais letal da história do Brasil, segundo levantamento preliminar das forças de segurança.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro confirmou, na manhã desta quarta-feira, 29 de outubro, 132 mortos resultantes da megaoperação realizada nos complexos da Penha e Alemão na terça (28). Moradores das regiões, ambas localizadas na Zona Norte, empilham os corpos que estão sendo encontrados, nas ruas, com o intuito de contabilizar o número de óbitos.
Na terça-feira (28), o Governo Estadual havia informado que 64 pessoas morreram durante a Operação Contenção, deflagrada contra lideranças do Comando Vermelho (CV), além de quatro policiais.
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