O jovem afirmou que permaneceu em silêncio durante todo o período por orientação das autoridades responsáveis pela investigação.
26 de junho de 2026 às 14:38 - Atualizado às 14:40
Igor Zampieri, um dos jovens acusados de envolvimento na morte do cão Orelha. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Pela primeira vez desde o caso que ganhou repercussão nacional, Igor Zampieri, um dos jovens acusados de envolvimento na morte do cão Orelha, falou publicamente sobre as acusações. Agora com 18 anos, ele criou um novo perfil no Instagram e publicou um vídeo no qual nega qualquer participação no crime e afirma ter sido alvo de julgamentos precipitados nas redes sociais.
No pronunciamento, Igor disse que passou os últimos cinco meses sendo chamado de assassino por pessoas que, segundo ele, desconhecem sua versão dos fatos. O jovem afirmou que permaneceu em silêncio durante todo o período por orientação das autoridades responsáveis pela investigação.
"Nos últimos cinco meses, milhares de pessoas me chamaram de assassino. Meu nome é Igor Zampieri. Eu acabei de fazer 18 anos. Pessoas que não me conhecem, pessoas que não sabem quem eu sou, que nunca escutaram a minha versão. Hoje, eu vim aqui contar para vocês", declarou.
Segundo ele, o silêncio adotado por sua família foi interpretado por muitas pessoas como uma admissão de culpa. No entanto, Igor afirmou que apenas respeitou o andamento do processo, que corria sob sigilo.
O jovem também relatou que sua imagem e seu nome foram amplamente compartilhados nas redes sociais e em grupos de mensagens, o que, segundo ele, intensificou os ataques e os julgamentos públicos. Em outro trecho do vídeo, Igor voltou a negar envolvimento no caso e afirmou que jamais cometeria o ato pelo qual vem sendo acusado.
"O mais difícil, para mim, de tudo isso, é que as pessoas me julgavam de algo que eu não fiz, algo que eu jamais faria", declarou.
O caso envolvendo a morte do cão Orelha provocou grande repercussão nas redes sociais e gerou ampla mobilização popular. As investigações foram conduzidas pelas autoridades competentes, enquanto os envolvidos permaneceram sem se manifestar publicamente até a conclusão das etapas sob sigilo.
Com a maioridade, Igor decidiu apresentar sua versão dos acontecimentos pela primeira vez, sustentando sua inocência e afirmando que foi alvo de acusações antes mesmo da conclusão do processo. Até o momento, não há informações sobre novos desdobramentos após a publicação do vídeo.
O caso do cão comunitário Orelha ganhou repercussão nacional após a morte do animal, registrada em janeiro de 2026, na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Inicialmente, adolescentes foram apontados pela Polícia Civil como suspeitos de agredir o cachorro e chegaram a ser indiciados. No entanto, o desfecho da investigação foi diferente.
Após a exumação do corpo e a análise de mais de 2 mil arquivos, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluiu que não havia provas para sustentar a acusação e pediu o arquivamento do caso. A solicitação foi aceita pelo Judiciário.
Os laudos periciais apontaram que Orelha não apresentava lesões compatíveis com agressões humanas. Segundo os peritos, a morte ocorreu em decorrência de eutanásia, indicada após o diagnóstico de uma grave osteomielite (infecção óssea) associada a problemas crônicos de saúde.
A investigação também identificou inconsistências na linha do tempo inicialmente apresentada. De acordo com as perícias, os adolescentes investigados e o cachorro estavam separados por cerca de 600 metros nos horários em que as supostas agressões teriam ocorrido, o que enfraqueceu a hipótese de participação deles na morte do animal.
Apesar do arquivamento, o caso provocou forte comoção pública e impulsionou mudanças na legislação catarinense. Como resposta, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou a chamada "Lei Orelha", que endurece as punições para casos de maus-tratos contra animais e prevê a responsabilização de pais ou responsáveis quando atos de violência forem praticados por menores de idade.
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