Ovos de Páscoa. Foto: Reprodução
Nesta Páscoa de 2026, o consumidor brasileiro terá um convidado indigesto à mesa: a carga tributária. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), os impostos embutidos nos ovos de chocolate correspondem a cerca de 38,5% do preço final. Na prática, isso significa que a cada dois ovos comprados, o valor de quase um inteiro é destinado diretamente aos cofres públicos.
A distorção ocorre devido ao modelo de cálculo "por dentro" utilizado no Brasil. Para que a indústria e o varejo consigam cobrir custos de produção, logística e margem de lucro em R$ 50,00, o produto precisa ser anunciado por R$ 81,30. A diferença de R$ 31,30 é composta por uma complexa teia de tributos como IPI, ICMS, PIS e Cofins.
O impacto real no bolso vai além da porcentagem nominal. Como o imposto incide sobre o valor total, a carga tributária acaba inflando o preço original do produto em 62,6%.
| Valor Sem Imposto | Carga Tributária (38,5%) | Preço na Prateleira |
| R$ 20,00 | R$ 12,52 | R$ 32,52 |
| R$ 50,00 | R$ 31,30 | R$ 81,30 |
| R$ 100,00 | R$ 62,60 | R$ 162,60 |
O ovo de chocolate não é o único item "mordido" pelo Leão. Confira a carga tributária de outros produtos tradicionais da época:
| Produto | Impostos (%) |
| Vinho Importado | 64,57% |
| Vinho Nacional | 54,73% |
| Refrigerante (Lata) | 46,47% |
| Bacalhau Importado | 43,78% |
| Chocolate (Barra/Bombom) | 39,61% |
| Ovo de Páscoa | 38,53% |
| Colomba Pascal | 38,68% |
| Coelho de Pelúcia | 29,92% |
Diferente de itens da cesta básica, o ovo de Páscoa é classificado pelo sistema tributário como um item supérfluo ou de luxo, o que impede desonerações maiores. Especialistas apontam que, embora o preço do cacau tenha sofrido pressão por quebras de safra globais, é o "Custo Brasil" que mantém o produto inacessível para grande parte da população.
"O consumidor sente que o dinheiro não rende no supermercado, mas muitas vezes não percebe que metade do esforço do seu trabalho está indo para sustentar a máquina estatal antes mesmo de o chocolate chegar ao carrinho", analisam especialistas em finanças públicas.
Com a inflação persistente e a alta carga sobre o consumo, a estratégia de muitas famílias em 2026 tem sido a migração para os chocolates artesanais ou as tradicionais barras, que possuem uma incidência tributária ligeiramente menor por não serem classificadas na mesma categoria de "brindes e embalagens especiais" dos ovos industrializados.
A crítica central reside na regressividade do sistema: como o imposto é cobrado no produto e não na renda, a população mais pobre acaba pagando proporcionalmente muito mais para manter os privilégios da classe política e a estrutura pública do que os cidadãos de alta renda.
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