Morte aos 89 anos encerra trajetória única marcada por criatividade ilimitada, influência mundial e prêmios em vida; conheça os discos que resumem a genialidade do "Bruxo"
Hermeto Pascoal: gênio da improvisação deixa legado e discos históricos. Créditos: Divulgação/Reprodução/Instagram/@hermetopascoal
O Brasil e o mundo se despedem de Hermeto Pascoal, morto aos 89 anos neste sábado. “Quem desejar homenageá-lo, deixe soar uma nota no instrumento, na voz, na chaleira e ofereça ao universo. É assim que ele gostaria”, diz a famosa mensagem de amigos, que viralizou nas redes. O silêncio que se fez não significa ausência: Hermeto sempre será ouvido onde houver invenção, liberdade e poesia sonora.
Nascido em Lagoa da Canoa, Hermeto desafia qualquer categoria: instrumentista, compositor, arranjador, inventor de sons. Venceu limitações da infância no sertão graças à audição e criatividade fora do comum. Antes mesmo da fama mundial, já era uma referência nos círculos de música nordestina e erudita. Sua habilidade em transformar o banal – panelas, garrafas, água, silêncio – em música elevou-o a um dos gênios do século.
Hermeto jamais parou de buscar o novo, improvisando com tudo ao redor e ignorando fronteiras entre erudito, regional, jazz e música universal. Sua carreira foi marcada por experimentos gravados em estúdio e apresentações ao vivo lendárias, nas quais transformava instrumentos em extensões do próprio corpo. “Tudo é som”, repetia – e fazia disso um manifesto.
O alagoano colecionou prêmios e homenagens. Em 2024, conquistou um Grammy Latino por “Pra Você”, gravado com Ilza e Grupo, e também foi laureado como “Melhor artista instrumental” no Prêmio da Música Brasileira de 2025. O reconhecimento veio de todas as partes do mundo e reforçou sua importância para a arte planetária.
Selecionar cinco discos é tarefa ingrata diante de uma produção tão vasta, mas algumas obras são centrais:
A inventividade de Hermeto ecoa mundo afora. Suas composições são estudadas em conservatórios de jazz na Europa e nos Estados Unidos. A liberdade de improviso e os métodos de ensino influenciaram músicos de todas as áreas, da música clássica à popular brasileira.
O percurso do “Bruxo” mostra que a tradição pode dialogar com a vanguarda. Ele sempre misturou baião, forró, chorinho, música erudita e experimentalismo, criando uma tradição oral própria – passada entre mestres, alunos e grupos em todo o planeta.
Multigeracional, Hermeto foi responsável pela formação de grupos e arranjadores inovadores. Discípulos e parceiros como Itiberê Zwarg, Jovino Santos Neto e muitos outros perpetuam a filosofia da experimentação livre e do aprendizado constante.
Desde o anúncio do falecimento, mensagens emocionadas do Brasil e do mundo inundaram redes, jornais e grupos de música. Muitos compartilham o ensinamento de Hermeto: enxergar a beleza no som mais simples, dar chance à curiosidade e ouvir com todos os sentidos.
Hermeto Pascoal deixa mais que discos: deixa inspiração. Sua maior herança é a ideia de que tudo, absolutamente tudo, pode ser música e que o Brasil é, também graças a ele, uma usina inesgotável de invenção.
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