No topo da lista de maiores cachês está a atriz Dira Paes, que recebeu R$ 470 mil e logo em seguida, aparece o carnavalesco Milton Cunha, contratado por R$ 310 mil.
Atriz, Dira Paes e o carnavalesco, Milton Cunha Foto reprodução redes socias
O governo Lula (PT), pagou cerca de R$ 2 milhões para influenciadores digitais e artistas participarem de campanhas publicitárias desde 2025, quando Sidônio Palmeira, assumiu o comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social). A pasta diz ainda que eles são remunerados com a verba de produção das campanhas e por meio das agências que foram licitadas pelo governo.
No topo da lista de maiores cachês está a atriz Dira Paes, que recebeu R$ 470 mil por ação de publicidade do programa Celular Seguro. Logo em seguida, aparece o carnavalesco Milton Cunha, contratado por R$ 310 mil para divulgar o Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.
A Secom afirma que a contratação dos artistas e influenciadores reflete nos novos hábitos de consumo de mídia dos brasileiros na hora de buscar informações,
com aumento significativo do tempo dedicado à navegação nas redes sociais e do engajamento da audiência nas publicações desse perfil”. informou o representante da Secom.
O governo federal ainda pagou de R$ 1.000 a R$ 124,9 mil em cachês para ao menos 55 influenciadores digitais divulgarem vídeos sobre bandeiras e ações do governo ou para protagonizarem propagandas produzidas pelas agências de comunicação que têm contratos com a Secom.
Outros 12 nomes participaram das ações sem receber pagamentos federais ou por meio de parceria com big techs contratadas pela Secom, lista que inclui o apresentador João Kleber. Ele protagonizou propaganda do governo sobre “Teste de Fidelidade ao Brasil”. A participação do apresentador foi oferecida pelo Kwai, empresa que recebeu ao menos R$ 19,5 milhões em anúncios da Secom e ministérios no último ano.
O governo Jair Bolsonaro (PL) também contratou influenciadores de 2019 a 2021, pagando ao menos R$ 670 mil, considerando valores corrigidos pela inflação. A gestão passada interrompeu a prática após ser questionada, entre outros pontos, pela produção de conteúdo defendendo o “cuidado precoce” sobre a Covid-19, ou seja, um discurso que integrava a abordagem negacionista e antivacina de Bolsonaro sobre a pandemia.
A aposta nos influenciadores contrasta com a do antecessor de Sidônio, Paulo Pimenta (PT), que chegou a afirmar em reunião na Câmara dos Deputados de 2023 que o governo não trabalhava com “influenciadores pagos”.
Sob Sidônio, a Secom também passou a direcionar mais de 30% da verba publicitária para sites e plataformas digitais, contra cerca de 20% na gestão anterior. Com a mudança, os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela secretaria e ministérios no último ano.
Os cachês foram apresentados à reportagem por meio de pedido baseado na Lei de Acesso à Informação. Nas primeiras etapas do processo a Secom mostrou apenas nomes dos influenciadores. Após ordem da CGU (Controladoria-Geral da União), dada em recurso de terceira instância, a secretaria divulgou os pagamentos.
A Secom também permitiu, em 2025, que produtores de conteúdo em plataformas digitais se cadastrem no Midiacad, que é um sistema da pasta que centraliza veículos de comunicação que podem receber publicidade federal.
Para entrar no sistema, os influenciadores devem apresentar dados sobre volume de seguidores e acessos das suas redes, além de um relatório de entregas de mídia. A Secom orienta que o produtor, “ao retratar uma experiência pessoal, seja genuíno e contenha apresentação verdadeira do produto ou serviço anunciado”.
Valores divulgados pela Secom por meio da Lei de Acesso à Informação
– Dira Paes: R$ 470 mil
– Milton Cunha: R$ 310 mil
– Matheus Buente: R$ 124,98 mil
– Morgana Camila: R$ 119,25 mil
– Vitor diCastro: R$ 90 mil
– Anaterra Oliveira: R$ 50 mil
– Rodrigo Góes: R$ 50 mil
– Gabriela de Oliveira Ferreira: R$ 40 mil
– Giovana Fagundes: R$ 40 mil
– Matheus Sodré: R$ 40 mil
*Secom informa que a influenciadora Laura Sabino recebeu R$ 40 mil por 4 vídeos. Ela disse que o valor está incorreto, mas não confirmou quanto recebeu. Outros 46 influenciadores receberam de R$ 1.000 a R$ 35 mil.
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