Lula ao lado da ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia. Foto: Repodução
O transporte da ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia ao Brasil custou R$ 345.013,56 aos cofres públicos, de acordo com informações oficiais reveladas pela Força Aérea Brasileira (FAB) nesta sexta-feira, 14 de novembro, m resposta ao Requerimento de Informação (RIC) 5716/2025, apresentado pelo deputado Marcel van Hattem (RS) na Câmara dos Deputados..
Heredia solicitou asilo político ao governo brasileiro no dia 15 de abril de 2025, o que motivou a operação aérea conduzida pela FAB.
O pedido da missão partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Ministério das Relações Exteriores. Os dados constam da resposta ao Requerimento de Informação (RIC) 5716/2025, assinada pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho.
De acordo com o documento apresentado, a operação utilizou um jato E-135 Shuttle (VC-99C), de matrícula FAB 2560, que partiu de Brasília com destino a Lima, no Peru.
O voo contou com uma escala técnica em Cuiabá e foi realizado entre os dias 15 e 16 de abril. Ao todo, seis militares compunham a tripulação: três pilotos, um mecânico e dois comissários de voo.
Segundo a documentação enviada ao Legislativo, a maior parte dos gastos, R$ 318.009,20, refere-se aos custos logísticos, que incluem combustível, manutenção/depreciação da aeronave e horas de voo. Também foram registradas despesas de R$ 7.547,62 em diárias para a tripulação e R$ 19.456,74 em taxas aeroportuárias.
Na época, a missão gerou repercussão nos corredores de Brasília, e movimentou a oposição.
Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru e esposa do ex-presidente Ollanta Humala, buscou refúgio na Embaixada do Brasil em Lima após ser condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro.
A sentença, proferida nesta segunda-feira (15), acusa o casal de ter recebido cerca de US$ 3 milhões em contribuições ilícitas da construtora brasileira Odebrecht e do governo da Venezuela para financiar as campanhas eleitorais de Humala, em 2006 e 2011.
Diante da condenação, Heredia solicitou asilo diplomático ao governo brasileiro, com base na Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954, da qual tanto Brasil quanto Peru são signatários. O pedido foi aceito, e o governo peruano se comprometeu a garantir uma saída segura para Nadine e seu filho rumo ao território brasileiro.
Enquanto Heredia aguarda os trâmites para deixar o país, o ex-presidente Ollanta Humala foi preso imediatamente e transferido para o presídio de Barbadillo, onde já estão detidos outros ex-mandatários peruanos envolvidos em escândalos de corrupção.
O caso reacende o debate sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato na América Latina, especialmente em países como o Peru, onde vários líderes políticos foram citados em esquemas de financiamento ilegal de campanha e corrupção envolvendo a Odebrecht.
Nadine Heredia, que também teve papel de destaque na política peruana enquanto primeira-dama, nega as acusações e alega perseguição política. O episódio provoca tensão diplomática e política, reacendendo discussões sobre o uso de embaixadas como espaço de proteção para ex-dirigentes e familiares envolvidos em investigações criminais.
Com a concessão de asilo, o Brasil passa a desempenhar um papel central no desenrolar da crise política envolvendo o ex-casal presidencial peruano.
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