Ações dos EUA na Venezuela geram preocupações para o Brasil. Foto: Reprodução
A presença militar dos Estados Unidos no Caribe, aliada a recentes declarações do governo Trump sobre operações em solo venezuelano, reacende alertas em todo o continente sul-americano e põe o Brasil numa posição de vulnerabilidade inédita diante da crise que se desenrola ao norte de sua fronteira.
O cenário ficou ainda mais grave após o envio de navios de guerra e drones ao redor da Venezuela e a autorização dada à CIA para conduzir operações secretas no país vizinho. A justificativa oficial americana aponta o combate ao narcotráfico, mas analistas garantem: o foco é controlar o futuro político venezuelano, marcado pela instabilidade do regime de Nicolás Maduro.
O Atlântico Sul, historicamente considerado uma zona de paz, vive momentos de tensão. As décadas de não beligerância entre países latino-americanos podem ser colocadas em xeque caso haja uma escalada entre EUA e Venezuela. Isso elevaria a presença de tropas e equipamentos militares estrangeiros, ameaçando toda a estabilidade já fragilizada da região.
Especialistas alertam para o potencial de “contaminação” do conflito, com múltiplos grupos armados buscando poder e possível apoio externo à oposição venezuelana, cenário comparável ao que ocorreu na Síria e na Líbia, mas agora perigosamente próximo da fronteira brasileira.
Se um confronto for deflagrado, o Brasil pode ver multiplicar-se o fluxo de refugiados venezuelanos, submetendo estados como Roraima e Amazonas a ainda mais pressão sobre seus já sobrecarregados sistemas de saúde, segurança e assistência social.
Além disso, cresce o temor quanto à circulação de armas e drogas; Caracas e Washington trocam acusações sobre o envolvimento de cartéis transnacionais, cujas ramificações atravessam a extensa fronteira entre os dois países.
A diplomacia brasileira caminha sobre uma linha tênue. O presidente Lula já deixou claro que o Brasil rejeita qualquer ação militar na América do Sul. Contudo, uma mudança forçada de regime na Venezuela poderá isolar ainda mais o governo brasileiro diante de líderes de direita e da aproximação de Washington com setores da oposição venezuelana.
Com eleições nacionais em 2026, o Palácio do Planalto terá que atuar de forma estratégica para não perder pontos do eleitorado nem espaço entre vizinhos, diante de um ambiente externo cada vez mais polarizado. Uma crise prolongada poderá forçar reposicionamentos difíceis e enfraquecer iniciativas de consenso regional.
A retórica adotada pelos Estados Unidos associa o narcotráfico ao terrorismo, abrindo precedente para ações armadas que podem extrapolar a própria Venezuela. Se consolidada essa doutrina, o Brasil também pode ser pressionado futuramente, sob argumentos de combate ao crime organizado, sobretudo após operações policiais de grande impacto em território nacional.
Outros países latino-americanos já sinalizam alinhamento com Washington ao classificar facções brasileiras como grupos terroristas. Tal cenário pode ameaçar a soberania brasileira em temas de segurança e política criminal.
Com a fronteira mais extensa da América do Sul em jogo e o risco de um conflito armado batendo à porta, o Brasil se prepara para uma tempestade geopolítica que pode transformar o panorama nacional em diversas áreas: da segurança à economia, da diplomacia à gestão migratória. O país está cada vez mais imerso em um jogo tenso, cujos desdobramentos permanecem imprevisíveis e onde cada decisão pode reconfigurar o tabuleiro do continente americano.
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