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Desemprego no Brasil cai para 5,3%, o menor para trimestre terminado em julho, aponta IBGE

A melhora no mercado de trabalho ocorreu acompanhada por novos recordes no número de pessoas ocupadas e de trabalhadores com carteira assinada.

Ricardo Lélis

27 de agosto de 2026 às 17:13   - Atualizado às 17:13

Carteira de Trabalho.

Carteira de Trabalho. Foto: Ilustração

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 27 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa o menor nível registrado para um trimestre terminado em julho desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.

O índice também ficou abaixo dos 5,8% registrados no trimestre encerrado em abril. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa estava em 5,6%, também houve redução.

A melhora no mercado de trabalho ocorreu acompanhada por novos recordes no número de pessoas ocupadas e de trabalhadores com carteira assinada.

De acordo com a pesquisa, 103,3 milhões de pessoas estavam ocupadas no trimestre encerrado em julho, o maior contingente já registrado pela Pnad Contínua.

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Entre os empregados com carteira assinada, excluindo os trabalhadores domésticos, o número chegou a 39,4 milhões, também o maior da série histórica.

Construção civil impulsiona geração de empregos

Segundo o analista da Pnad Contínua, William Kratochwill, o avanço da ocupação observado no trimestre encerrado em julho foi puxado principalmente pela construção civil.

“A maioria aconteceu entre pedreiros e trabalhadores elementares da construção de edifícios”, afirmou o analista.

Kratochwill também destacou o impacto das mudanças tecnológicas sobre as formas de inserção no mercado de trabalho. Segundo ele, recursos como telefone e bicicleta podem facilitar o acesso a determinadas atividades profissionais.

"Hoje em dia, com telefone e bicicleta, você consegue trabalhar. A tecnologia está mudando o mercado de trabalho", disse.

Outro segmento que apresentou crescimento foi o de transporte, armazenagem e correio, que inclui trabalhadores como entregadores de aplicativos. A ocupação nesse agrupamento aumentou 5,4% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Apesar do avanço no emprego, a pesquisa também mostra crescimento do trabalho informal. O número de trabalhadores sem carteira assinada chegou a 13,8 milhões, aumento de 3,6% em relação ao trimestre encerrado em abril. O crescimento representa 477 mil pessoas a mais nessa condição.

A taxa de informalidade passou de 37,2% até abril para 37,5% no trimestre terminado em julho. O IBGE considera informais os trabalhadores sem carteira assinada, além de autônomos e empregadores que não possuem CNPJ.

Número de desempregados também recua

O contingente de pessoas desocupadas caiu para 5,8 milhões no trimestre encerrado em julho. Foram 503 mil pessoas a menos nessa situação em comparação com o período de fevereiro a abril, uma redução de 8%.

Também houve diminuição no número de pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditar que não conseguiriam uma vaga. A população desalentada ficou em 2,3 milhões, queda de 9,7% no trimestre.

Apesar dos indicadores positivos de ocupação e desemprego, o rendimento médio dos trabalhadores apresentou pequena redução. O valor passou para R$ 3.762, recuo de 0,7% em relação ao trimestre encerrado em abril. O IBGE, contudo, classificou a diferença como “estável”.

A taxa de desemprego calculada pela Pnad Contínua considera a população com 14 anos ou mais e engloba diferentes formas de ocupação, incluindo trabalhadores com ou sem carteira assinada, temporários e pessoas que trabalham por conta própria.

Pelos critérios utilizados pelo IBGE, uma pessoa só é classificada como desocupada quando não estava trabalhando, estava disponível para trabalhar e havia procurado efetivamente uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa.

A Pnad Contínua é realizada em todo o país e visita aproximadamente 211 mil domicílios nos estados e no Distrito Federal. O levantamento acompanha diferentes aspectos do mercado de trabalho brasileiro, permitindo observar tanto a evolução do emprego quanto as condições em que os trabalhadores estão inseridos.

Os números divulgados nesta quinta-feira mostram, portanto, um cenário de queda do desemprego e expansão da ocupação, ao mesmo tempo em que a informalidade avançou no período.

O recorde de trabalhadores ocupados e de empregados com carteira reforça a dimensão da melhora observada no mercado de trabalho até julho.

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