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Desembargadora relata caso de racismo estrutural em supermercado: 'preto não ocupa espaços de poder'

Segundo a magistrada, o episódio aconteceu após sua caminhada matinal, quando foi confundida por uma cliente com uma funcionária do estabelecimento.

Ricardo Lélis

20 de maio de 2026 às 20:17   - Atualizado às 20:17

Desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23).

Desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23). (Foto: Reprodução/ Redes Sociais e Divulgação)

A desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), afirmou ter sofrido uma abordagem racista enquanto fazia compras em um supermercado de Cuiabá, no Mato Grosso, no último domingo, 17 de maio (veja o vídeo abaixo).

Segundo a magistrada, o episódio aconteceu após sua caminhada matinal, quando foi confundida por uma cliente com uma funcionária do estabelecimento.

De acordo com o relato publicado nas redes sociais, a cliente passou a abordá-la de forma insistente, pedindo informações sobre produtos e localização de itens nas prateleiras do mercado. Para a desembargadora, a situação reflete uma percepção social enraizada no país.

A magistrada avaliou que o caso vai além de um episódio isolado e representa uma lógica reproduzida no cotidiano brasileiro, que associa pessoas negras a funções de prestação de serviço. Ela também apontou a baixa presença de negros em cargos da magistratura e nos tribunais superiores como um dos fatores que contribuem para esse cenário.

"A lógica diz: preto não ocupa espaços de poder. Preto não é juiz, preto não é desembargador", afirmou.

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Confira o vídeo:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Juiz denuncia racismo

O caso da demissão do juiz substituto Robson José dos Santos pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) ganhou um novo e contundente capítulo no dia 3 de maio. 

Em vídeos de sua defesa, o magistrado, natural do Recife e com uma trajetória marcada pela superação, afirmou categoricamente que sua exclusão do tribunal foi motivada por racismo.

Robson construiu grande parte de sua vida pública em sua terra natal. Antes de ingressar na magistratura, ele trabalhou como pipoqueiro no Recife e percorreu diversos degraus do serviço público.

O magistrado destacou que atuou por cerca de 15 anos como assessor de juízes no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), período em que afirma nunca ter sofrido sanções disciplinares.

"Desde o começo eu falo: o que está sendo julgado aqui não é o magistrado, é um homem negro", desabafou Robson durante sua manifestação oficial.

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