Lula retorna a Belém para a reta final da COP30, buscando destravar impasses. Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP30 em Belém (PA), entra na sua reta final com desafíos críticos para alcançar acordos que definirão os rumos da ação global contra o aquecimento do planeta. Em meio a impasses em negociações, especialmente sobre financiamento climático e a transição energética, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna à capital paraense nesta quarta-feira, 19 de novembro, para tentar destravar as conversas travadas entre os quase 200 países participantes.
Lula volta justamente em um momento crucial, quando ministros do meio ambiente de diversos países assumem protagonismo nas negociações, substituindo as equipes técnicas e elevando o tom político das discussões. Entre os principais temas pendentes estão o financiamento climático, quem custeará as medidas para adaptação e mitigação, o fechamento da lacuna entre as metas atuais de redução de gases de efeito estufa e o necessário para limitar o aquecimento global a 1,5ºC, além do fim do uso dos combustíveis fósseis, comércio internacional e transparência na implementação dos compromissos.
Na carta que anunciou sua volta, lida pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Lula explicou que irá se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, representantes da sociedade civil, povos indígenas, governadores e prefeitos locais. O objetivo é fortalecer a governança climática e o multilateralismo, essenciais para dar efetividade às decisões globais. Lula também quer garantir que sua proposta de um "mapa do caminho" para eliminar os combustíveis fósseis seja incorporada ao texto final da COP30 para ser trabalhada nas próximas conferências.
As negociações da COP30 em Belém têm sido marcadas por dificuldades em estabelecer consensos em temas sensíveis. Países do bloco em desenvolvimento, especialmente da África, resistem a parâmetros rigorosos de adaptação às mudanças climáticas por receio de que isso possa restringir ou controlar o acesso aos recursos financeiros necessários para enfrentar os impactos já evidentes do aquecimento.
Outro ponto de conflito é o financiamento climático: existe uma necessidade urgente de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para que os países em desenvolvimento possam implementar ações significativas. Mas esse montante ainda não tem garantias claras de onde e como será captado. O mapa do caminho, defendido por Lula, prevê formas inovadoras de financiamento, como trocas de dívida por clima, mecanismos de compartilhamento de risco e instrumentos como o Fundo Floresta Tropical para Sempre.
Além disso, as metas apresentadas pelos países continuam insuficientes. Segundo o secretário-geral da ONU, as Contribuições Nacionalmente Determinadas atuais entregam apenas uma redução estimada em 10% das emissões, enquanto seria necessário uma redução de 60% para alcançar o compromisso do Acordo de Paris. O Brasil defende que, para ser justo, o esforço deve reconhecer aqueles que historicamente mais contribuíram para o problema climático.
Desde a abertura da COP30, o Brasil tem buscado assumir uma posição de liderança no combate às mudanças climáticas, especialmente por sediar a conferência em uma região crucial da Amazônia, que sofre diretamente com o desmatamento. O presidente Lula anunciou que Belém será o local onde o mundo renovará o compromisso com o Acordo de Paris, avançando não só na implementação das ações acordadas, mas também na formulação de medidas adicionais para fechar a lacuna entre a retórica e a realidade.
A proposta do governo brasileiro inclui, além do fim do desmatamento ilegal, a valorização das florestas pela sócio-bioeconomia e a recuperação de áreas degradadas, além do fortalecimento da cooperação entre governos, empresas e comunidades locais. Essa união é vista como fundamental, conforme destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin, para mudar mentalidades e construir realidades.
Com a presença de Lula em Belém, existe a expectativa de que os entraves políticos sejam superados e um acordo com compromissos firmes seja alcançado até o encerramento da conferência, previsto para sexta-feira, 21 de novembro. A COP30, que conta com delegados de quase 200 países, precisa aprovar o texto final para guiar as ações climáticas dos próximos anos e enviar um recado claro sobre a urgência e a justiça climática.
Os observadores acompanham também os debates sobre regras para a transparência dos relatórios de implementação e medidas para evitar práticas unilaterais que possam afetar o comércio internacional e o clima. A proposta é que a declaração final contenha bases sólidas para continuidade nas próximas COPs, garantindo acompanhamento e pressão por resultados.
A COP30 é mais que um evento diplomático: é o palco onde se decide o futuro da humanidade diante da crise climática que agrava eventos extremos, ameaça a biodiversidade e compromete a vida nas regiões mais vulneráveis do planeta. A expectativa recai na liderança brasileira e na habilidade do presidente Lula de mobilizar um consenso global capaz de reverter a atual trajetória de colapso ambiental.
A palavra final de Belém pode ser decisiva para que as próximas décadas caminhem rumo a um modelo sustentável, inovador e justo, garantindo a proteção dos povos indígenas e das populações tradicionais, e promovendo uma economia verde com inclusão social. Lula retorna a Belém com a missão de transformar a esperança em ação concreta e compromissos reais.
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