Greve de Caminhoneiros. Foto: Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil
Uma paralisação nacional dos caminhoneiros ganha força para esta quinta-feira (4/12), com convocação via redes sociais e apoio de lideranças regionais. O movimento, que promete começar pequeno e crescer, foca em demandas antigas da categoria, mas divide opiniões entre entidades e desperta temores de desabastecimento como em 2018.
Francisco Burgardt, do Sindicam-SP, confirma que um ofício foi enviado ao Planalto na segunda-feira (1/12), notificando o governo Lula sobre a ação legal. "Esperamos que o governo apresente soluções concretas para o setor", disse ele ao Metrópoles. A mobilização deve atingir as cinco regiões, com ênfase no Sudeste, especialmente São Paulo.
Organizadores como Chicão Caminhoneiro articulam pontos de parada em mais de 40 locais estratégicos, priorizando rodovias federais. A expectativa é de adesão gradual, começando com poucos caminhões e escalando conforme o apoio se consolida nas redes sociais. Figuras como o ex-desembargador Sebastião Coelho reforçam a convocação, prometendo suporte jurídico total.
A pauta é extensa e inclui demandas estruturais acumuladas há anos. Caminhoneiros pedem estabilidade contratual com critérios claros para fretes, reestruturação do Marco Regulatório do Transporte de Cargas e atualização do piso mínimo, especialmente para veículos de nove eixos.
Regularização administrativa: para autônomos punidos em greves passadas, incluindo anistia a envolvidos em atos como o 8 de Janeiro.
Infraestrutura urgente: Suspensão temporária da "Lei do Descanso" até melhorias nas estradas e criação de uma Justiça especializada em transportes.
Cotas para autônomos: 30% das cargas de estatais destinadas a eles, para equilibrar a competição com grandes frotas.
Essas reivindicações ecoam frustrações antigas, como os reajustes de diesel que explodiram em 2018, paralisando o país por 10 dias e causando filas nos postos e escassez de alimentos.
Nem todos embarcam no movimento. A CCAPS recusa adesão por falta de assembleia formal, enquanto a CNTTL critica o viés político, citando pedidos de anistia como “absurdo”.
O deputado Zé Trovão (PL-SC), voz influente na Câmara, detonou a greve em vídeo: "Não é por Bolsonaro ou presos, é interesse próprio. Se der certo, ótimo, mas eu não apoio". Lideranças como Wallace Landim (“Chorão”) e Luciano Régis também se posicionam contra, temendo uso político da categoria.
A UBC estima 20% de adesão inicial, mas entidades como a CNTA rechaçam veementemente, chamando de “ameaça infundada”. A ACTRC, por outro lado, apoia, destacando descontentamento generalizado.
Sete anos após o caos que custou bilhões à economia, o risco de repetição assombra supermercados e postos. Naquele ano, Temer cedeu com tabela de frete mínima, mas problemas persistem: assaltos nas estradas, dívidas impagáveis e leis não cumpridas.
Hoje, com Lula no poder, o governo monitora de perto. O ofício protocolado abre diálogo, mas sem resposta até o momento, a tensão cresce. Especialistas preveem impacto localizado se a adesão ficar abaixo de 20%, mas qualquer escalada pode travar o fluxo de cargas essenciais.
Caminhoneiros autônomos, que representam cerca de 40% do transporte rodoviário brasileiro, carregam o peso da nação nas costas. Sem eles, 65% das mercadorias param – de grãos do Centro-Oeste a remédios nas capitais.
O Planalto foi notificado, mas ainda não se pronunciou publicamente. Fontes do setor indicam reuniões urgentes para evitar colapso logístico. Se a greve engrenar, pontos como BR-116 e BR-153 podem ser os primeiros a sentir, afetando São Paulo, Minas e Rio.
Enquanto isso, redes sociais fervem com lives e áudios de Chicão e aliados, misturando apelos trabalhistas a críticas ao STF. A divisão interna enfraquece o movimento, mas basta uma faísca, como bloqueios efetivos, para reacender o debate nacional.
Os caminhoneiros não são apenas motoristas; são a espinha dorsal do país. Suas vozes, mesmo divididas, cobram respeito a leis esquecidas e políticas públicas que priorizem quem sustenta a mesa de todos. Amanhã, as estradas dirão se o Brasil freia ou acelera para soluções reais.
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