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Caixa é condenada e fecha acordos de R$ 14 MILHÕES após casos de ASSÉDIO contra ex-presidente

Fontes judiciais revelaram que o banco havia sido condenado a pagar uma indenização por danos morais, sendo o maior valor da história da Justiça do Trabalho.

Gabriel Alves

18 de setembro de 2024 às 10:14   - Atualizado às 11:00

Caixa é condenada e fecha acordos de R$ 14 MILHÕES após casos de ASSÉDIO contra ex-presidente.

Caixa é condenada e fecha acordos de R$ 14 MILHÕES após casos de ASSÉDIO contra ex-presidente. Foto: Reprodução

Mais de dois anos após o escândalo de assédio sexual e moral envolvendo o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o banco foi condenado em pelo menos quatro processos e assinou dois acordos trabalhistas, totalizando R$ 14 milhões em indenizações. A informação foi publicada na segunda-feira, 16 de setembro, por Thaísa Oliveira, da Folha de S.Paulo.

Esse valor pode aumentar significativamente com um processo movido por Edneide Lisboa, viúva do ex-diretor Sérgio Batista. A defesa de Edneide pede uma indenização de R$ 40 milhões, como aponta a reportagem da Folha de S.Paulo.

Fontes judiciais revelaram que a Caixa já foi condenada a pagar uma indenização por danos morais à viúva, sendo o maior valor da história da Justiça do Trabalho.

Escândalo

Em 2022, o banco foi multado em R$ 10 milhões e firmou um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para encerrar investigações relacionadas aos episódios de assédio sexual e moral. Além disso, em janeiro de 2023, a Caixa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT após a comprovação de perseguições a empregados durante a gestão de Guimarães.

O banco também foi condenado em processos movidos em São Paulo, Amazonas e no Distrito Federal. Em um caso, a Justiça determinou o pagamento de R$ 400 mil por assédio moral, em processo iniciado pela Federação Nacional das Associações dos Gestores da Caixa Econômica Federal (Fenag) em 2020. Em outro caso, a Caixa foi condenada a pagar R$ 3,5 milhões em São Paulo por um episódio de coerção envolvendo flexões impostas a funcionários. Em outro caso, um empregado recebeu R$ 52 mil de indenização por ter sido obrigado por Guimarães a comer pimenta.

Processos e Justiça

Além dos gastos diretos com indenizações e multas, o escândalo deixou marcas na reputação da Caixa, segundo a ex-presidente do banco, Rita Serrano. Ela determinou que os valores pagos em indenizações fossem cobrados de Guimarães, mas ainda não se sabe se o atual presidente, Carlos Antônio Vieira Fernandes, manterá essa medida.

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“O que não se conta é o custo das ações dele [Guimarães] para a imagem da instituição. Como a Caixa é uma empresa pública, não tem ações em Bolsa, você não visualiza isso. Mas quanto o banco perde em credibilidade quando essas coisas acontecem?”, questiona.

Enquanto os processos trabalhistas avançam, as mulheres que denunciaram Guimarães por assédio sexual aguardam uma decisão na esfera criminal. O caso segue sob sigilo judicial, e uma audiência de instrução está marcada para os próximos dias.

O advogado de Guimarães, José Luis Oliveira Lima, nega as acusações e afirma que seu cliente "jamais praticou crimes" e confia na Justiça para provar sua inocência. A investigação interna da Caixa, concluída no final de 2022, apontou indícios de crimes no relatório de 500 páginas entregue às autoridades.

"Durante as apurações, a defesa chegou a questionar a evidente parcialidade da comissão interna, registrando a falta de isenção na formulação de perguntas e na solicitação de documentos, que tinham por objetivo corroborar conclusões já existentes, ao invés de apurar a verdade dos fatos. As conclusões do relatório da Caixa Econômica Federal, alcançadas em procedimento arbitrário, no qual foram desrespeitados os mais básicos princípios de isonomia e isenção, e em nada contribuem para o esclarecimento das apurações”, diz a nota.

A advogada das vítimas, Soraia Mendes, não comentou o processo criminal, mas destacou semelhanças entre a conduta de Guimarães e a de Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos, que também foi acusado de assédio sexual e moral.

“Por tudo que é público de ambos casos, há um paralelo. Pessoas que estão em cargos de poder, várias vítimas, assédio moral, assédio sexual. E o ex-ministro cumpriu o prêt-à-porter [expressão em francês que indica figurino pronto para vestir] do agressor dizendo ‘sou um bom pai, sou um bom marido. E ele fez também gestões para que as vítimas sejam denunciadas pelo crime de denunciação caluniosa. Tem paralelo, e tem paralelo também em como a defesa pública vem”, conclui a advogada na nota.

Da redação do Portal com informações da Folha de S.Paulo.

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