Caso cão Orelha: jovens voltam ao Brasil após período nos EUA. Foto: Reprodução
Quatro adolescentes são investigados pela morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida em janeiro de 2026 na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, dois dos suspeitos estavam em uma viagem pré-programada aos Estados Unidos e devem retornar ao Brasil na próxima semana para prestar depoimento no caso.
O cão Orelha, que vivia há cerca de dez anos no bairro e era cuidado pela comunidade local, foi encontrado com ferimentos graves e levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu aos maus-tratos e precisou ser submetido à eutanásia. O caso foi registrado como crime de maus-tratos e ganhou grande repercussão nacional, mobilizando moradores da região e ativistas pelos direitos dos animais.
Em uma ação recente, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas dos adolescentes suspeitos, com o objetivo de coletar provas e esclarecer detalhes das agressões contra o animal. Durante a operação, as autoridades também investigaram possíveis atos de coação contra uma testemunha, inclusive por meio de ameaças envolvendo arma de fogo, mas nenhum objeto desse tipo foi encontrado.
A investigação apura se os jovens teriam usado objetos contundentes para ferir o cão e, em outro episódio, se tentaram afogar outro cachorro comunitário na mesma praia, conforme relatos recebidos pela polícia.
Além das diligências policiais, a Justiça de Santa Catarina determinou que redes sociais removam postagens que identifiquem os adolescentes suspeitos, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A decisão liminar atinge plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok e visa proteger a identidade dos menores durante as investigações, evitando perseguições e difamações públicas.
Os advogados que representam os adolescentes destacaram que, apesar da gravidade do caso e da tristeza pela morte do animal, o linchamento virtual e a divulgação de dados pessoais podem violar direitos legais garantidos aos menores em processo investigativo.
O caso do cão Orelha gerou comoção em Santa Catarina e em todo o país, com pedidos de justiça e protestos nas redes sociais, além de mobilização de influenciadores e organizações em defesa dos animais. A expectativa é que, com o retorno dos adolescentes ao Brasil, novos depoimentos sejam colhidos, e a investigação avance para determinar responsabilidades e possíveis medidas socioeducativas, conforme previsto no ECA.
A Polícia Civil e o Ministério Público de Santa Catarina continuam acompanhando o caso, com foco em esclarecer toda a dinâmica da agressão que resultou na morte do cão comunitário e em apurar eventuais atos de coação e obstrução da investigação.
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