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Bahia no Mapa da Fome? 11% dos lares enfrentam insegurança alimentar

Estado registra mais de 200 mil domicílios em risco alimentar; situação também atinge municípios do interior

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02 de dezembro de 2025 às 17:56   - Atualizado às 18:02

Fome na Bahia

Fome na Bahia Tânia Rego/Agência Brasil

A insegurança alimentar na Bahia atinge 11% dos domicílios, segundo levantamento recente do Ministério da Saúde, percentual acima da média nacional, que é de 7%. Isso representa mais de 200 mil famílias vivendo sem garantia de ter alimentos suficientes para os próximos dias.

“Tem dias que só tem arroz. E às vezes nem isso”, relata Maria*, moradora da periferia de Salvador, evidenciando a realidade de muitas famílias que convivem diariamente com o medo da fome.

Salvador lidera ranking entre capitais brasileiras

O dado mais alarmante vem da capital, Salvador, que possui a maior proporção de famílias em risco alimentar entre todas as capitais do país. A situação mostra que a fome urbana persiste, mesmo em centros metropolitanos, refletindo desigualdade social, falta de emprego e acesso limitado a políticas públicas eficientes.

Como a TRIA identifica os lares em risco

A identificação das famílias em insegurança alimentar é feita por meio da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA). A metodologia é simples, porém eficaz:

  • Se a comida acabou nos últimos três meses antes de haver dinheiro para mais;
  • Ou se os moradores precisaram se alimentar apenas do que restava em casa.

Se qualquer membro da família responde “sim” a ambas as perguntas, o domicílio é classificado como em risco alimentar.

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Integração de políticas públicas

Os dados da TRIA são integrados aos sistemas SUAS (Assistência Social), SUS (Saúde) e SISAN (Segurança Alimentar e Nutricional), permitindo atuação coordenada entre governos municipal, estadual e federal. Entre as medidas estão: distribuição de cestas básicas, programas sociais, cozinhas comunitárias e acompanhamento nutricional.

Interior também sofre com a fome

O problema não é exclusivo da capital. Municípios como Muniz Ferreira, Santa Rita de Cássia e São Sebastião do Passé registram altos índices de insegurança alimentar. Nessas regiões rurais, o acesso limitado a políticas públicas, baixa renda e dificuldades logísticas agravam a situação, exigindo atenção especial das autoridades.

Avanços e desafios

O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2023, ao reduzir para menos de 5% a população em insegurança alimentar grave, graças a ações como:

  • Reforço do Bolsa Família e aumento do poder de compra das famílias;
  • Distribuição de alimentos e retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA);
  • Integração de políticas de saúde, assistência social e segurança alimentar;
  • Prioridade a regiões mais vulneráveis por governos municipais, estaduais e federal.

Apesar dos avanços, milhões ainda enfrentam insegurança alimentar leve ou moderada, mostrando que o combate à fome precisa continuar de forma estruturada e contínua na Bahia.

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