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Arminio Fraga sugere congelar salário mínimo no Brasil pelos próximos seis anos: 'Viraria o jogo'

Para o ex-presidente do Banco Central, o país é um paciente "grave", mas não em estado terminal, o que exige um diagnóstico frio.

Fernanda Diniz

14 de abril de 2025 às 13:50   - Atualizado às 14:11

Arminio Fraga.

Arminio Fraga. Foto: Reprodução / Senado

O ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga sugeriu a adoção de medidas como o congelamento do salário mínimo em termos reais e a redução de gastos tributários como parte de um cardápio de ações que mudaria o cenário fiscal do País por seis anos.

Para ele, o Brasil é um paciente "grave", mas não em estado terminal, o que exige um diagnóstico frio. Ele participa do painel "Economia: Trump, Tarifas e o Fim da Globalização?", na 11ª. Brazil Conference, evento anual realizado pela comunidade brasileira de estudantes na região de Boston que ocorre neste sábado, 12.

"Uma coisa, talvez, realista, para o atual governo, seria algo que fosse palatável para o atual presidente. Eu acho que deveria ser palatável o seguinte cardápio. Congela o salário mínimo, que não é palatável, mas não dá para fazer o salário mínimo ficar crescendo 2,5% nessas circunstâncias, e reduz os gastos tributários em 2% do PIB. Isso daria uns 3% do PIB, e eu acho que virava o jogo", disse.

Ele também defendeu a necessidade de novas reformas do Estado, ponderando que boas mudanças já foram obtidas com as reformas trabalhista, da Previdência e do saneamento. No caso do gasto público, ele reiterou a necessidade de revisão das despesas, levando em conta um cenário fiscal que apresenta sintomas insustentáveis como os juros altos.

Arminio disse que o problema mais claro de todos é a Previdência, que precisa de uma nova grande reforma.

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"Uma boa já seria, provavelmente, congelar o salário mínimo em termos reais. Seis anos congelados já ajudaria", afirmou.

Em relação à harmonização das políticas fiscal e monetária, Fraga lembrou que o único tema que não se discutia nos almoços com o Ministério da Fazenda na época em que presidiu o BC era o Comitê de Política Monetária (Copom). Para ele, o cenário atual do Brasil, com juro real elevado implica na necessidade de apoio do lado fiscal.

"O chamado mix de política macro, fiscal e monetário, hoje, é um diagnóstico óbvio que está faltando apoio do lado fiscal", disse.

Questionado sobre a eficácia do arcabouço fiscal, Arminio disse que sua execução "é a mesma coisa que pilotar uma Ferrari, no Memorial Drive a 300 quilômetros por hora: Vai bater".

Ele também ponderou que, para além da questão econômica, há outros problemas que o Brasil precisa enfrentar, que têm peso relevante, especialmente a segurança e o crime organizado.

Estadão Conteúdo

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