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Anvisa aprova uso de medicamento que atrasa a progressão do diabetes tipo 1

A doença é autoimune, na qual o sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.

Ricardo Lélis

11 de março de 2026 às 18:44   - Atualizado às 18:44

Teste para diabetes.

Teste para diabetes. (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o uso do teplizumabe por pessoas a partir de 8 anos com diabetes tipo 1. O medicamento tem como objetivo atrasar a progressão da doença.

Comercializado como Tzield, o teplizumabe age no sistema imunológico. Ele atua sobre células de defesa chamadas linfócitos T, que, no diabetes tipo 1, atacam por engano as células do pâncreas responsáveis por produzir insulina.

Ao modular essa reação, o tratamento busca reduzir o ataque e retardar a progressão da doença - pesquisas indicam que o fármaco consegue adiá-la, em média, em dois anos.

Segundo Melanie Rodacki, coordenadora do departamento de diabetes tipo 1 adulto da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a aprovação marca uma nova fase no cuidado de pacientes com a doença.

Ela explica que, até agora, o tratamento era baseado apenas na reposição da insulina que o organismo deixava de produzir diante da destruição das células pancreáticas. Com a nova terapia, é possível intervir no processo imunológico que leva a essa destruição.

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"A aprovação é um avanço significativo, mas ainda há etapas a cumprir para que o medicamento seja comercializado. Como o custo é alto, é essencial que sejam definidas estratégias de acesso por planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, é necessário que seja estabelecido um preço viável à realidade da população brasileira", destaca Melanie.

O diabetes e seus estágios

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.

A progressão do quadro é dividida em quatro estágios. Nos estágios 1 e 2, a doença ainda não causa sintomas e a pessoa não precisa usar insulina, mas já é possível identificar no sangue autoanticorpos que indicam o ataque do sistema imunológico às células pancreáticas.

No estágio 1, a glicose permanece em níveis normais. Já no estágio 2, começam a surgir pequenas alterações na glicose.

O estágio 3 ocorre quando essas alterações passam a atender aos critérios diagnósticos da doença, podendo aparecer sintomas como sede excessiva, perda de peso, cansaço e visão turva. O estágio 4 corresponde ao diabetes tipo 1 de longa duração.

O teplizumabe é a primeira terapia capaz de alterar esse curso. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine mostrou que o medicamento praticamente dobrou o tempo médio até o diagnóstico clínico em pessoas com diabetes tipo 1 no estágio 2.

Em sua análise, a Anvisa levou em consideração esses resultados do fármaco, já aprovado também pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA).

Estadão Conteúdo

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