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A reforma fiscal que ninguém conta: quem ganha e quem perde com as novas alíquotas em 2026

Reforma do IR 2026 amplia isenção para quem ganha até R$ 5 mil e aumenta a tributação sobre rendas e dividendos mais altos.

Pollyana Leite

07 de novembro de 2025 às 17:51   - Atualizado às 17:54

Nova faixa de isenção do imposto de renda em 2026.

Nova faixa de isenção do imposto de renda em 2026. Foto: Freepik

A reforma do imposto de renda prevista para vigorar em janeiro de 2026 traz mudanças importantes para diferentes perfis de contribuintes. O texto estabelece que quem recebe até R$ 5.000 por mês ficará isento de pagar o IR.  Já para quem auferir renda entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 mensais haverá uma redução, ainda que gradual, do imposto. No topo da pirâmide, os indivíduos com rendimentos elevados também sofrerão alterações significativas: haverá alíquota mínima de 10% para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano. 

Para trabalhadores de menor renda, o impacto é imediato. Quem hoje paga imposto sobre rendimentos até cerca de dois salários mínimos agora poderá ficar completamente isento se ganhar até R$ 5.000 por mês.  Por exemplo, simulações apontam que um trabalhador com renda mensal de R$ 5.000 economizaria mais de R$ 4.000 ao ano com as novas regras. Isso representa uma folga a mais no orçamento familiar, o que pode significar mais consumo, mais folga para imprevistos ou poupança. Para esse grupo, a reforma representa um ganho claro.

No entanto, quem tem renda entre R$ 5.000 e R$ 7.350 está em uma zona de transição: a redução existe, mas se desfaz à medida que a renda se aproxima de R$ 7.350 a partir desse patamar não há mudança significativa nas alíquotas atuais. Ou seja: quem ganha, por exemplo, R$ 6.000 por mês terá alguma diminuição de IR, mas quem recebe R$ 8.000 ainda estará sujeito às mesmas taxas antigas.

No topo, as mudanças representam maior cobrança sobre altas rendas e sobre distribuição de lucros e dividendos. A proposta prevê tributação de 10% sobre lucros e dividendos distribuídos acima de R$ 50.000 por mês; pagamentos aprovados até 31 de dezembro de 2025 ficam de fora da regra de transição.  Além disso, o imposto mínimo de 10% atinge aproximadamente 0,13% dos contribuintes mais ricos, segundo estimativas do governo. Ou seja: poucos contribuintes arcarão com esse aumento, em teoria ajudando a compensar a renúncia fiscal provocada pela isenção para rendas mais baixas.

Do lado dos que perdem ou melhor: que não ganham há impactos mistos. Quem ganha acima de R$ 7.350 por mês mantêm a tributação como antes: não há redução, e para quem está muito acima, a carga sobe. A mudança aumenta a “pressão” tributária sobre quem recebe mais, inclusive via lucros e dividendos. Para quem está em média renda ou quem faz renda variável importante, isso exige atenção. Por exemplo, empreendedores e sócios de empresas que recebem dividendos altos precisarão rever planejamento.

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Além disso, a mudança reforça a desigualdade de tratamento entre faixas de renda: trabalhadores de menor renda ganham uma folga; os de maior renda, mais implicações. A reforma deixa claro que o Estado busca alívio fiscal para grande parte da população trabalhadora e compensação via arrecadação dos que têm muito mais rendimento.

Para setores específicos, há efeitos indiretos. A economia se prepara para ver menos carga de IR para milhões de trabalhadores, a matéria estima que “10 milhões de trabalhadores passam a ter isenção, totalizando 15 milhões”. Isso pode impulsionar consumo, ou ao menos reduzir o custo do imposto para esses lares. Por outro lado, para setores que dependem de altos rendimentos ou distribuição de lucros a pessoas físicas, as novas regras podem gerar ajuste de estratégia.

A proposta aprovada no Senado segue para sanção e exige que seja publicada até o fim de 2025 para entrar em vigor em 2026.  Ou seja, ainda há tempo para mudanças de emenda ou ajustes, mas as linhas gerais já estão definidas: isenção ampliada, faixa intermediária ajustada, e cobrança maior sobre os altos rendimentos.

 

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