A declaração foi feita durante um discurso em que a parlamentar criticava a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro na terça-feira (28), que resultou em dezenas de mortes.
Vereadora Karen Santos (PSOL. Foto: Câmara Municipal de Porto Alegre
Durante sessão na Câmara Municipal de Porto Alegre (RS), na última quarta-feira, 29 de outubro, a vereadora Karen Santos (PSOL) afirmou que pessoas envolvidas no tráfico de drogas são “trabalhadores”. (Veja vídeo)
A declaração foi feita durante um discurso em que a parlamentar criticava a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro na terça-feira (28), que resultou em dezenas de mortes.
"Droga é uma mercadoria como qualquer outra, assim como a gente tem o álcool que é legalizado, assim como a gente tem o cigarro que é legalizado, assim como a gente tem o açúcar, o café e outros medicamentos tarja preta", disse a parlamentar.
Veja vídeo:
Em debate sobre os efeitos sociais e econômicos do tráfico e da criminalização das drogas, a parlamentar chamou atenção para a dinâmica de exploração que marca toda a cadeia produtiva do setor ilícito:
"É muito interessante para o capitalismo superexplorar essa cadeia produtiva das pessoas que plantam, das pessoas que embalam, das pessoas que fazem o translado até chegar no varejo, lá na ponta, na biqueira, que são trabalhadores megaexplorados, sem seus direitos garantido", continuou.
Ao abordar a dimensão econômica do tráfico de drogas, a parlamentar falou sobre a ausência de regulação e tributação sobre o setor, apontando a conexão entre o lucro ilícito e a lavagem de dinheiro em grandes centros financeiros.
"A gente não percebe que o rendimento bilionário desse setor é porque em nenhuma parte dessa cadeia produtiva há qualquer tipo de taxação de imposto, e é esse dinheiro que é lavado depois na Avenida Faria Lima, na megaoperação que nós anunciamos no mês passado, em São Paulo. Só não enxerga quem não quer ver."
A megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, provocou uma onda de repercussão dentro e fora do país e também nas redes sociais. Após a ação, o governador Cláudio Castro (PL) registrou um aumento expressivo no número de seguidores no Instagram, passando de 464 mil para 1,2 milhão em apenas três dias.
Deflagrada na terça-feira (28), a operação, batizada de Contenção, foi considerada a mais letal da história do Rio. As polícias Civil e Militar mobilizaram efetivos para cumprir 180 mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). O saldo final foi de 121 mortos, além do bloqueio de vias e da suspensão de serviços na região.
Na segunda-feira (27), Castro tinha 464 mil seguidores. No dia seguinte, o número subiu para 478 mil. Após a divulgação das imagens da operação e o surgimento dos primeiros relatos de dezenas de corpos encontrados por moradores, o total saltou para 746 mil na quarta-feira (29). Nesta quinta (30), o número ultrapassou 1,3 milhão de seguidores.
O governo estadual afirmou que a ação tinha como objetivo conter o avanço da facção e prender lideranças criminosas. Castro classificou o resultado como “um sucesso”, enquanto a Defensoria Pública da União (DPU) apontou indícios de ilegalidades e possíveis violações de direitos humanos. Especialistas em segurança pública ouvidos pelo Estadão avaliaram a estratégia como de alto risco e eficácia limitada no enfrentamento ao crime organizado.
De acordo com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF), desde que Castro assumiu o governo, em agosto de 2020, o Rio registrou 1.846 mortes em operações policiais e mais de 8 mil ações do tipo em todo o estado. Das 11 operações mais letais desde 2007, seis ocorreram sob sua gestão.
A operação também teve repercussão internacional. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma reforma abrangente e eficaz dos métodos de policiamento no Brasil. Segundo ele, o país precisa “romper o ciclo de brutalidade extrema” e adotar padrões internacionais sobre o uso da força.
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Por que, em vez de você ficar vendendo, se aproveitando da miséria das pessoas, você não usa para qualificar essas pessoas?", questionou o senador.
A psolista justificou, na terça (10), o voto favorável à CPI que vai investigar possíveis irregularidades no concurso público para Procurador-Geral do município.
A companhia foi criada em agosto de 2002 pela integração de seis empresas da Organização Odebrechte do Grupo Mariani.
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