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Trump pressiona Zelensky a abrir mão do território da Crimeia na Ucrânia e não entrar na Otan

Os pedidos ocorrem após a reunião do presidente americano com Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Isabella Lopes

18 de agosto de 2025 às 15:28   - Atualizado às 15:35

Trump e Zelensky discutem ao vivo no Salão Oval da Casa Branca

Trump e Zelensky discutem ao vivo no Salão Oval da Casa Branca Foto: Reprodução / CNN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se manifestar sobre a guerra na Ucrânia e afirmou, neste domingo, 17 de agosto, que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, poderia “encerrar o conflito quase imediatamente” caso aceite algumas condições. A declaração foi feita em sua rede social, Truth Social, às vésperas de uma reunião marcada com Zelensky e líderes europeus na Casa Branca.

Na mensagem, Trump reforçou que, em sua visão, a solução do conflito depende de concessões por parte da Ucrânia.

“O presidente Zelensky da Ucrânia pode encerrar a guerra com a Rússia quase imediatamente, se quiser, ou pode continuar lutando”, escreveu.

Condições impostas

Entre as exigências mencionadas por Trump estão duas das principais condições defendidas por Vladimir Putin: que a Ucrânia aceite a anexação da Crimeia pela Rússia e que desista de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Lembrem-se de como tudo começou. Sem a Crimeia de Obama (12 anos atrás, sem um único tiro disparado!), e SEM A ENTRAR NA OTAN PELA UCRÂNIA. Algumas coisas nunca mudam!!!”, completou o republicano.

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A Crimeia foi anexada ilegalmente pela Rússia em 2014, em um movimento condenado pela comunidade internacional, mas que se consolidou com forte presença militar russa. Já o pedido de adesão da Ucrânia à Otan sempre foi tratado como uma linha vermelha por Moscou, que vê a expansão da aliança militar como ameaça direta à sua segurança.

Reunião com Zelensky e líderes europeus

A reunião desta segunda-feira, 18 de agosto, na Casa Branca, terá a presença de Zelensky e de diversas lideranças europeias. Trump confirmou que será “um grande dia” e destacou o peso diplomático do encontro.

“Nunca tivemos tantos líderes europeus ao mesmo tempo. É uma grande honra recebê-los!!!”, escreveu o presidente americano.

A expectativa é de que Trump pressione diretamente Zelensky a aceitar os pontos defendidos por Moscou para avançar em direção a um acordo de paz. Ao mesmo tempo, os europeus querem obter clareza sobre o que os Estados Unidos estariam dispostos a oferecer como garantias de segurança à Ucrânia caso a guerra seja encerrada nessas condições.

Preocupação dos aliados europeus

Governos europeus acompanham com cautela a postura de Trump diante das negociações. Eles temem que o líder americano utilize sua influência para pressionar a Ucrânia a aceitar exigências que possam comprometer sua soberania territorial.

Ao mesmo tempo, os europeus esperam ouvir de Trump detalhes sobre o que a Rússia estaria disposta a conceder em troca. Entre os pontos em discussão está o futuro papel dos Estados Unidos no fornecimento de garantias de segurança, além de eventuais compromissos de Moscou de não avançar militarmente sobre outras áreas da Ucrânia.

Pressão sobre Zelensky

Desde o início da guerra, Zelensky tem reiterado que não aceitará abrir mão de nenhum território ucraniano. O líder já declarou que um acordo que envolva a renúncia à Crimeia ou ao Donbass seria inaceitável para Kiev.

Com a reunião em Washington, no entanto, Zelensky deve enfrentar um cenário de maior pressão. A fala de Trump no domingo já sinaliza que as conversas podem se concentrar em um acordo baseado nas condições de Putin apresentadas na cúpula de Anchorage, no Alasca, na semana passada.

Expectativa para a Casa Branca

Trump afirmou que a reunião terá caráter histórico pela quantidade de líderes reunidos ao mesmo tempo na Casa Branca. Entre eles, estão chefes de governo e representantes da Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Polônia e outros países da União Europeia e da Otan.

O encontro ocorre dias depois da reunião entre Trump e Putin, quando o presidente russo declarou que estava disposto a negociar a paz, mas apenas se as preocupações de segurança da Rússia fossem respeitadas.

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