Ministro Dias Toffoli. Foto: Reprodução
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu neste sábado, 24 de outubro, a adoção de regras pela Justiça Eleitoral para evitar que a propaganda política seja transformada em uma “arena de ofensas” entre candidatos.
A declaração foi feita durante uma palestra para representantes internacionais, em Brasília, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
Na avaliação do ministro, a propaganda eleitoral deve priorizar a discussão de propostas e ideias, em vez de ser utilizada para ataques pessoais e confrontos entre adversários.
Toffoli afirmou que é necessária uma regulamentação para que “a política volte a discutir política” e criticou o que classificou como “embates incivilizados” durante transmissões ao vivo pelos canais de comunicação.
O magistrado também argumentou que os cidadãos não devem arcar com os custos de um modelo de propaganda marcado por ofensas.
Para explicar o ponto, mencionou o benefício tributário concedido às emissoras de televisão em razão do tempo destinado à propaganda eleitoral. Nesse sistema, as empresas podem receber compensação fiscal pelo espaço cedido às campanhas políticas.
A manifestação ocorre em um momento de intensa disputa entre as campanhas presidenciais e de discussões sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização dos canais utilizados para mobilizar eleitores e divulgar mensagens políticas.
Durante a palestra, Toffoli ressaltou a importância de estabelecer parâmetros para a comunicação eleitoral. A preocupação apresentada pelo ministro está relacionada à utilização dos espaços de propaganda para confrontos entre candidatos, sem que o debate seja direcionado à apresentação de propostas para o país.
Ao defender a regulamentação, o magistrado destacou o papel da Justiça Eleitoral na condução do processo democrático e na busca por condições que permitam aos eleitores acompanhar as campanhas sem que os espaços de comunicação sejam dominados por agressões verbais.
A discussão ganha relevância especialmente nos últimos dias de uma eleição, período em que as campanhas intensificam a divulgação de conteúdos e a mobilização de apoiadores. Nesse contexto, a fiscalização das mensagens e dos canais de comunicação se torna um dos pontos de atenção das autoridades eleitorais.
A declaração de Toffoli, contudo, ocorre em meio a controvérsias sobre como as regras devem ser aplicadas e quais medidas podem ser adotadas contra conteúdos publicados por grupos de apoio aos candidatos.
Na sexta-feira (23), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, decidiu que o canal de WhatsApp denominado “Exército do Lula” não poderia voltar a ser suspenso ou restringido por decisão monocrática. A medida foi tomada em resposta a um mandado de segurança preventivo apresentado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Anteriormente, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia atendido a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinado uma análise detalhada das publicações do canal.
O espaço de transmissão foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e, segundo as informações apresentadas, reúne mais de dez milhões de inscritos.
A decisão de Floriano de Azevedo Marques trata da possibilidade de novas restrições ao canal por decisão individual de um ministro. O episódio evidencia a disputa jurídica em torno dos instrumentos de comunicação utilizados pelas campanhas e por seus apoiadores durante o período eleitoral.
O caso também se insere no debate mais amplo sobre os limites entre a mobilização política, a liberdade de expressão e a atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização de conteúdos relacionados à disputa presidencial.
Com o segundo turno marcado para este domingo (25), as declarações de Toffoli e a decisão envolvendo o canal de WhatsApp colocam novamente em evidência a discussão sobre o papel das instituições eleitorais na condução das campanhas.
De um lado, o ministro defende regras que priorizem o debate político e reduzam as ofensas; de outro, as decisões judiciais sobre canais de comunicação mostram os desafios de estabelecer limites para a atuação de campanhas e grupos de apoiadores.
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O instituto entrevistou presencialmente 3.702 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 23 e 24 de outubro.
O grupo pretende renegociar cerca de R$ 827 milhões em dívidas.
Pesquisa divulgada neste sábado (24) ouviu 4.050 eleitores e mostra diferença de um ponto percentual entre os candidatos à Presidência.
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